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Biblioteca Nacional reabre na data prevista mas há colecções ainda indisponíveis

31.08.2011 - 14:19 Por Alexandra Prado Coelho

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As obras permitiram novas condições de segurança para os livros As obras permitiram novas condições de segurança para os livros (©Duarte Belo 2011)
Subdirectora diz que 70% das obras estarão imediatamente disponíveis. Normalização total só no final de Novembro.

Os serviços de Leitura Geral e de Reservados da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) reabrem, como previsto, amanhã, depois de nove meses de obras, mas ainda com algumas restrições. A subdirectora da BNP, Maria Inês Cordeiro, calcula que aproximadamente 30% da colecção não esteja ainda disponível devido a um atraso das obras que afecta três pisos da torre onde estão guardados os livros. "Não é, de todo, o grosso da colecção", sublinhou numa conversa telefónica com o PÚBLICO.

Os volumes que não estarão ainda disponíveis para consulta serão disponibilizados em três fases até 30 de Novembro - as Ciências Civis e Belas-Artes a partir de 30 de Setembro, História e Geografia, Numismática e as colecções Brito Rato, Varatojo e Fialho de Almeida a partir de 31 de Outubro, e a Literatura a partir de 30 de Novembro.

Quanto aos Reservados (que encerraram apenas a 1 de Abril), vão estar disponíveis a partir de amanhã, embora obras das colecções Alcobacences, Iluminados, Incunábulos, Pergaminhos, Arquivo Histórico BN e Arquivo Lencastre Basto devam ser pedidas com dois dias de antecedência.

"Não estivemos à espera de ter até ao último livro arrumado para reabrirmos", explica Maria Inês Cordeiro. O atraso nas obras ficou a dever-se a "algumas surpresas" encontradas, sobretudo na parte de renovação da torre de depósito de livros, como por exemplo o número de tubagens revestidas a amianto, superior ao que se tinha previsto.

Para além desta renovação destinada a substituir sistemas eléctricos, de tratamento de ar, refrigeração, controlo de temperatura e protecção contra incêndios, que se encontravam obsoletos (o edifício da BNP, obra do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, é dos anos 60, e os níveis de temperatura e humidade na torre eram já muito superiores ao recomendado), a obra incluiu a construção de um acrescento da torre de depósitos (correspondente a 33 metros em cada um dos dez pisos), que permitirá, no futuro, a arrumação de um número muito maior de livros.

As obras foram, portanto, de bastidores, o que significa que os utilizadores da BNP que regressarem amanhã não vão encontrar nada de novo nos espaços que utilizam. "Vão entrar na mesma sala de leitura que deixaram no ano passado", esclarece a subdirectora. O encerramento deveu-se não a intervenções nesta sala, mas sim à indisponibilidade dos livros - cerca de 50 quilómetros de prateleiras que tiveram que ser esvaziadas na zona de depósito.

Nova sala de leitura

Foi também criada uma nova sala de leitura debaixo da zona acrescentada à torre, mas esta ainda não tem data prevista para a abertura com essas funções. Também a zona nova na torre de depósito não será para já utilizada porque aguarda a próxima fase: a compra das estantes. "Esse é outro investimento, que não faz parte desta empreitada, e que continuará no próximo ano, quando adquirirmos estantes e mobiliário para as novas zonas públicas", explica Inês Cordeiro. Foi ainda construída uma casa-forte subterrânea, que anteriormente não existia.

Quando a BNP anunciou que ia encerrar durante nove meses, houve protestos de utilizadores, sobretudo bolseiros, que afirmaram ficar muito prejudicados com a medida por não poderem concluir trabalhos dentro dos prazos previstos, colocando assim em risco as bolsas que lhes tinham sido atribuídas.

A BNP tentou encontrar alternativas para consulta de obras noutras bibliotecas do país e argumentou que, devido ao tipo de obras estruturais que envolviam toda a torre de depósito, não havia outra solução senão o encerramento temporário.

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