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Investigadores indignados com fecho durante nove meses

Biblioteca Nacional garante não ter alternativa ao encerramento

18.07.2010 - 08:53 Por Isabel Coutinho, Alexandra Prado Coelho

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Os responsáveis da biblioteca dizem que as obras são essenciais para evitar a degradação dos livros Os responsáveis da biblioteca dizem que as obras são essenciais para evitar a degradação dos livros (Rui Gaudêncio (arquivo))
Mais de 3800 pessoas assinaram uma petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional durante nove meses para obras. Dizem que "é insubstituível", que os trabalhos vão ficar parados e que há bolsas em risco.

É inaceitável, dizem os investigadores. É incontornável, respondem os responsáveis da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP). Quando, no início de Junho, foi anunciado que a BNP iria encerrar durante nove meses e meio - de 15 de Novembro a 31 de Agosto de 2011 - para obras de remodelação, a comunidade de investigadores lançou o alarme: as investigações vão ficar paradas, há bolsas em risco, o aviso não foi feito com antecedência suficiente para permitir uma reorganização do trabalho. Uma petição contra o encerramento, na Internet, recolheu em pouco tempo 3800 assinaturas.

Os responsáveis da BNP argumentam que não havia outra forma de fazer este tipo de obras, absolutamente essenciais para evitar a degradação dos livros e que envolvem sistemas que percorrem todo o edifício onde os volumes estão depositados (ver texto nestas páginas), garantem que existem alternativas noutras bibliotecas do país, e asseguram que reduziram ao mínimo o tempo necessário para as obras.

"A BN é absolutamente insubstituível. Não há outra em Lisboa comparável. Não só tem fundos arquivísticos como tem tudo o que foi publicado em Portugal desde o século XIX até à actualidade", diz o historiador Nuno Monteiro, um dos subscritores da petição. "Em relação aos livros do Fundo Geral [a maior parte das colecções, excluindo os Reservados] há mais alternativas", contesta Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BNP, dando como exempo, para o caso do livro antigo, as bibliotecas da Academia das Ciências, da Sociedade de Geografia, a Biblioteca Central da Marinha, a Biblioteca de Évora, a da Universidade de Coimbra ou a Biblioteca Municipal do Porto. Além disso, acrescenta, várias bibliotecas municipais pelo país têm todos os livros publicados desde que existe a obrigatoriedade de depósito legal.

"A minha primeira reacção é de indignação, quase de revolta", diz o sociólogo António Barreto, sublinhando, contudo, que lhe faltam alguns da-dos para avaliar se as obras podiam ter sido feitas de outra forma - faseada, por exemplo, como defendem muitos investigadores. O que António Barreto sabe é que noutros países - e cita os casos das Bodlien de Oxford, ou da Biblioteca Nacional de Paris - foi possível fazer obras praticamente sem interromper o funcionamento.

"Creio que aqui se poderia fazer de outra maneira", continua António Barreto. "O que é que os bolseiros vão fazer agora? Receber as bolsas para depois não poderem trabalhar?" O argumento de que poderão requisitar com antecedência alguns documentos que serão digitalizados não convence o sociólogo. "Uma investigação não se pode planear assim. Um livro leva a outros. Quando vou a uma biblioteca acabo sempre por ler três vezes mais coisas do que o que estava à espera." E conclui: "Não faz sentido que em 2010 se faça como no século XIX."

Nuno Monteiro lembra também que "há uma população universitária que tem prazos a cumprir, que com Bolonha foram enormemente encurtados, e avisar com três meses de antecedência que [a biblioteca] vai fechar por um ano é uma irresponsabilidade". O historiador, que refere também o caso dos investigadores estrangeiros (ver depoimentos nestas páginas), admite que se poderia "ir fechando andares, para as pessoas racionalizarem os seus tempos de consulta, ou manter serviços a funcionar noutros sítios, restringindo um pouco as entradas".

"Não é uma transferência"

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Comentário + votado

ao que isto chegou....

Fecha-se a principal biblioteca do país e os investigadores que vão à fava!Onde ...

Anónimo

19.07.2010 11:51

X

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