• Volta ilustrada à cidade
  • Um arco-íris de carnavais brasileiros
  • A cozinha coreana chegou de carrinha a Lisboa

Bénard da Costa: o homem que foi duas vezes papa com Manoel de Oliveira

21.05.2009 - 11:03 Por Sérgio C. Andrade, com Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
"Muito emocionado", foi como Manoel de Oliveira se sentiu com a notícia da morte de Bénard da Costa "Muito emocionado", foi como Manoel de Oliveira se sentiu com a notícia da morte de Bénard da Costa (Reuters)
Por entre a emoção e o desgosto motivados pela perda do seu amigo, Manoel de Oliveira recorda João Bénard da Costa como uma figura marcante dos seus filmes, desde a estreia em “O Passado e o Presente”, em 1972.

“Ele tinha uma voz esplêndida e um carisma muito forte. Quando falava, não falhava nada. Já quando tinha de se movimentar, não controlava tão bem o corpo”.

Oliveira “descobriu” Bénard da Costa como potencial actor para o seu cinema no início dos anos 70, quando fora apresentar à Gulbenkian o projecto daquele filme. “Logo que o ouvi a ler uma passagem da peça de Vicente Sanches para o Dr. Azeredo Perdigão [então presidente da Fundação], vi que tinha ali um actor admirável”.

Sob o pseudónimo Duarte de Almeida, Bénard da Costa participou em mais de uma dezena de filmes com Oliveira. Entre eles, há a curiosidade de ter representado a figura do Papa, por duas vezes: Clemente X em “Palavra e Utopia” (2000) e João XXIII na curta de “Chacun son Cinema” (2007), produzida pelo Festival de Cinema de Cannes aquando do seu 60º aniversário.

“Acredito que, após a sua morte, ele me tenha organizado as coisas para nos reencontrarmos no céu”, diz o realizador.

Bénard da Costa, que foi subdirector da Cinemateca Portuguesa desde 1980 e director de 1991 a 2009, foi substituído na direcção da Cinemateca Portuguesa em Janeiro último por Pedro Mexia devido a problemas de saúde.

Nascido em Lisboa em 1935, João Pedro Bénard da Costa, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, foi um dos fundadores da revista O Tempo e o Modo, dirigiu o Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e presidia à Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal. Dedicou-se ainda à crítica e ao ensaio, tendo participado como actor em vários filmes, grande parte dos quais de Manoel de Oliveira.

Pelo trabalho à frente da Cinemateca, Bénard da Costa foi condecorado em Setembro passado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro com a medalha de mérito cultural.

Notícia alterada às 19h52

Estatísticas

  • 1837 leitores
  • 3 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1381971

Comentário + votado

RIP Sr. Cinema

Bénard era uma inspiração insubstituível. Que perda. Que personalidade.

joana

23.05.2009 16:37

X

Mais em Cultura (5 de 14 artigos)

João Bénard da Costa Obituário: quando João Bénard da Costa chegou ao cinema