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Primeiro monólogo da actriz portuguesa

Beatriz Batarda sozinha em palco com a peça "De Homem para Homem"

29.08.2008 - 11:58 Por Lusa

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Beatriz Batarda vai estar em palco entre 11 de Setembro e 5 de Outubro no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa Beatriz Batarda vai estar em palco entre 11 de Setembro e 5 de Outubro no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa (Paulo Ricca/Público (arquivo))
Beatriz Batarda vai estar sozinha em palco na peça "De Homem para Homem", a história de Ella, uma mulher que perde a sua identidade e que se dedica a sobreviver a qualquer preço.

A peça será apresentada de 11 de Setembro a 5 de Outubro no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, e tem encenação do espanhol Carlos Aladro, que há um ano dirigiu Beatriz Batarda e Luís Miguel Cintra em "O Construtor Solness", de Henrik Ibsen.

"Ella não tem identidade, perde a identidade por desespero. Com medo de fazer as escolhas erradas, faz sempre as escolhas erradas, em actos de valentia, no fundo, faz a escolha cobarde e vai perdendo a sua humanidade ao longo dos tempos por fazer essas más escolhas", declarou à Lusa a actriz, que agora se estreia num monólogo.

O texto, de Manfred Karge, conta a história desta mulher ao longo de quase 50 anos, que percorrem também a História da Alemanha dos anos 30 até ao início dos anos 80.

Ella é uma mulher que não consegue arranjar emprego e se casa com um homem mais velho e doente para ter casa e comida. Quando descobre que o marido tem cancro, decide fazer-se passar por ele para não perder o emprego.

"De certa maneira representa a cobardia das pessoas perante a guerra, o medo, a fome. Escolhe o caminho que lhe parece mais fácil, sem solidariedade, sem moral, sem responsabilidade, sem causa nenhuma. Vai-se transformando num verdadeiro monstro", resumiu a actriz.

"É uma mulher que não se sabe se é uma mulher, se um homem, se uma coisa intermédia e que basicamente se dedica a sobreviver a qualquer preço", acrescentou o encenador Carlos Aladro.

Actriz britânica Tilda Swinton representou a peça

Para Beatriz Batarda, o autor seguiu uma estrutura e uma herança dramatúrgica de Bertolt Brecht, "introduzindo, não só a denúncia política, mas também uma visão muito lúcida do que seria o futuro, que é o presente actual, a invasão do capitalismo, do individualismo e do vazio".

Há muito tempo que a actriz acalentava o desejo de fazer a peça.

"Vi uma actriz maravilhosa a fazer este papel em Inglaterra", indicou, referindo-se a Tilda Swinton.

Anos mais tarde, depois de ter ido estudar para Londres, Beatriz Batarda foi encorajada pelo encenador que dirigira Swinton na peça a representá-la.

Agora, o impulso decisivo veio do fundador do Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra.

"Tenho tido sempre nesta profissão uma postura de pura intérprete e nunca tive uma vontade ou coragem de empreendedora, de pôr um projecto a andar para a frente. Na verdade, não o teria feito se não tivesse sido provocada pelo Luís Miguel Cintra", confessou.

Tradição 'brechtiana'

Depois surgiram apoios inesperados. A Cornucópia tinha um mês livre e cedeu o espaço (Teatro do Bairro Alto) e Batarda concorreu a um concurso de apoio pontual.

"Para mim era claríssimo que este projecto era uma coisa que eu queria fazer com o Carlos [Aladro], porque, para além de ter muitas qualidades, sabe muito bem como funciona a cabeça do actor, estimula imenso os actores", adiantou.

O encenador sublinhou, por sua vez, que este "é sobretudo um trabalho de interpretação".

"O trabalho que fizemos juntos foi ilustrar, criar as imagens que estão no texto. Apoio-me sobretudo no trabalho da Beatriz", referiu, apontando que esta peça, "com uma dramaturgia não convencional", apresenta 26 quadros com diferentes formatos de texto.

"Fazemos muitos jogos entre estas várias linguagens, o texto ajuda muito porque varia entre prosa e verso e tem muitas canções [tradicionais alemãs], também naquela tradição do Brecht", assinalou a actriz, que, questionada sobre a dificuldade de estar sozinha em palco, confessou que "é horrível".

O cenário, da autoria de Manuel Aires Mateus, é muito abstracto, com poucos objectos, sem efeitos.

"É o mínimo necessário para contar a história, para criar as imagens que criam a história", indicou o encenador.

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Comentário + votado

Força Beatriz e carpe diem!

Olá Viva! Cara amiga, há sempre uma altura na vida em que o distante se aproxima, o precipicio ...

Cláudio Henrique

29.08.2008 13:32

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