Desde os anos 90 que Richard Youngs, inglês fixado em Glasgow, Escócia, é autor de vários e diferentes discos onde explora as suas pessoalíssimas visões da folk, do minimalismo e da experimentação mais inclassificável. Habituou-nos ao imprevisível, mas "Autumn Response" surpreende por ser um dos discos mais acessíveis da sua discografia.
Oito destas nove canções têm menos de cinco minutos, coisa rara para um músico conhecido pelas suas longas, reflexivas e circulares peças. Neste Youngs "condensado", sobressaem as melodias folk e a força das técnicas de estúdio, cada vez mais um instrumento que usa em seu favor (como no rock progressivo, que, aliás, admira). As linhas de guitarra acústica e voz (os dois únicos elementos do disco) surgem duplicadas em camadas diferentes, com subtis diferenças entre si ou com atraso de uma em relação à outra. O resultado são "mantras" hipnóticos, que se desenrolam numa tensão entre acção e o que parece ser o seu reflexo, centrados na voz simultaneamente austera e calorosa de Richard Youngs. Na belíssima "I am the weather", por exemplo, as linhas de guitarras entrelaçam-se, ao passo que a voz, multiplicada, ganha uma qualidade quase incorpórea. "Something like air" é a excepção à regra deste disco: em vez de uma canção, Youngs lança-se numa paciente peça de 16 minutos, dedilhada suavemente à guitarra e entoada como se de uma velha canção folk inglesa se tratasse. É esta união entre experimentação e classicismo que faz de "Autumn Response" um álbum notável. Pedro Rios


