O "Auto da Índia", de Gil Vicente, é apresentado, de 24 a 28 de Julho, numa embarcação tradicional, ancorada na Marina de Cascais, tal como aconteceu há 499 anos quando foi representado pela primeira vez em Almada.
O auto é levado à cena pelo Teatro Experimental Cascais (TEC) sob a direcção de João Vasco, que seguiu a encenação delineada por Carlos Avilez quando o apresentou em 1970 na Exposição Universal de Osaka (Japão).
"Foi absolutamente inovador o modo como apresentou as personagens e fez as marcações e está actual. Aliás, o Avilez tinha já feito uma grande inovação quando o apresentou no Teatro Experimental do Porto, com Alda Rodrigues, e mais tarde o levou às ex-colónias", disse João Vasco.
O elenco de 1970 integrava, além de João Vasco, Lígia Telles, José de Castro, António Marques e Zita Duarte.
O elenco do "Auto da Índia" que será apresentado na marina é constituído por Mafalda Luís de Castro, Rita Leão, João Pedro Jesus, David Jorge e Ricardo Pires.
A peça tem 25 minutos e procura retratar o que se passava na metrópole quando os maridos partiam para a Índia em busca de riqueza e deixavam as mulheres sozinhas.
O TEC segue o texto vicentino, sem alterações, tal como foi fixado pelo investigador Dinis Jacinto da Universidade de Coimbra.
João Vasco defendeu que "todas as companhia subsidiadas deviam apresentar Gil Vicente. Apenas a Cornucópia o tem feito, e muito bem. Mas o Nacional, por exemplo, não leva à cena os nossos clássicos, nem Gil Vicente nem Almeida Garrett".
Para o Outono, o TEC prevê repor o "Auto da Índia" e o "Auto da Barca do Inferno" com os cenários de Júlio Resende e Francisco Relógio, respectivamente.
O "Auto da Índia" foi representado pela primeira vez, em Almada, num barco, na presença da Rainha D. Leonor, viúva de D. João II.
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