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Cortes orçamentais

Associações de cinema juntam-se para redigir documento comum sobre o sector

27.10.2011 - 18:30 Por Lusa

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Várias associações de profissionais do cinema, de realizadores, argumentistas ou técnicos, juntaram-se num Movimento pelo Cinema que defenda “os interesses de todos os profissionais”, disse à Lusa o realizador Fernando Vendrell.

Numa reunião na quarta-feira em Lisboa, promovida pela Associação Portuguesa de Realizadores, várias associações juntaram-se na criação de um “Movimento pelo Cinema”, para entregar um documento sobre o sector ao secretário de Estado da Cultura.

O objectivo é que Francisco José Viegas receba o documento antes de ir ao Parlamento em Novembro, disse Fernando Vendrell, vice-presidente da Associação Portuguesa de Realizadores.

O secretário de Estado da Cultura estará em Novembro na Comissão Parlamentar de Economia e Finanças, a propósito da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012.

Para a Associação Portuguesa de Realizadores em causa estão os anunciados corte no orçamento do Instituto do Cinema do Audiovisual e a consequente - alegam os realizadores - redução nos apoios financeiros à produção de cinema.

A proposta de OE para 2012 prevê que o Instituto do Cinema e do Audiovisual perca 4,4 milhões de euros para um orçamento de 11,5 milhões de euros. A redução deve-se à diminuição da cobrança da taxa de exibição das televisões, segundo a proposta do governo.

“Há ainda uma grande apreensão no sector que é a suspensão da actividade cinematográfica até à implementação do novo quadro legal”, disse Fernando Vendrell, aludindo ao facto da actual tutela da Cultura está a preparar uma nova lei do cinema.

No encontro de quarta-feira estiveram ainda representantes da Apordoc - Associação Pelo Documentário, a AIP, Associação de Imagem Portuguesa de Cinema e Televisão, a CPAV - Associação de Técnicos de cinema, a APAD, dos argumentistas, e a Academia Portuguesa de Cinema.

Esteve também presente a Plataforma do Cinema, que reúne realizadores e produtores como Luís Urbano, Pedro Borges, João Canijo, Manoel de Oliveira e João Botelho, e que leu um documento publicado hoje no jornal Público.

Nesse documento defendem “um plano de emergência para o cinema” que “consigne a receita do IVA cobrado a seis por cento sobre o preço dos bilhetes do cinema ao orçamento do instituto [ICA] até ao montante equivalente ao corte orçamental que o governo agora anuncia”.

Tudo porque o sector vive “há mais de uma década” uma situação de “subfinanciamento crónico”.

Fernando Vendrell afirmou que a situação está insustentável para vários agentes do sector por causa dos apoios do ICA que estão ainda por atribuir e apelou por isso à união dos profissionais.

“O Movimento pelo Cinema toca todas as profissões do cinema (que são muitas), pretende da mesma maneira exigir condições para a continuidade da arte cinematográfica”, que vive “uma asfixia lenta e insidiosa”, referiu a Associação Portuguesa de Realizadores em comunicado enviado à Lusa.


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