As mais altas figuras do Estado não vão participar nas cerimónias fúnebres de hoje

20.06.2010 - 08:01 Por Sérgio C. Andrade, com Luciano Alvarez e Nuno Simas
O Presidente da República não vai interromper o curto período de férias que está a passar nos Açores, e que termina amanhã, para marcar presença, hoje, em Lisboa, no funeral de José Saramago, e o presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado, vai prolongar a sua visita ao arquipélago. O líder do principal partido da oposição decidiu manter uma reunião do PSD e optou por enviar à cerimónia Miguel Relvas.
Na sexta-feira, dia da morte de Saramago, Cavaco Silva enviou uma mensagem de condolências à família do escritor, em que recordava a sua "projecção mundial". "Justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura". Mas, feito o reconhecimento, Cavaco Silva decidiu não regressar a Lisboa mais cedo para participar nas cerimónias fúnebres, embora até à hora do fecho desta edição não tenha sido possível obter uma confirmação oficial da sua ausência.
A anunciada ausência de Cavaco Silva, primeiro-ministro em 1992 quando o subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, excluiu O Evangelho Segundo Jesus Cristo da lista de candidatos portugueses ao Prémio Literário Europeu, dizendo que o livro não presentava Portugal nem os portugueses, foi comentada pelo social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa, à saída do velório na Câmara de Lisboa: "Perante um morto destes, não se contam votos", disse. Marcelo acabou, porém, por amenizar a ausência, lembrando a nota elogiosa de sexta-feira, e salientando que, "às vezes, a presença espiritual é mais importante do que a presença física". "A mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença", disse citado pela Lusa.
Também nos Açores, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, é outra ausência - estará representado pelo vice-presidente Guilherme Silva.
Presenças confirmadas: a do primeiro-ministro, José Sócrates, e da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas - que ontem acompanhou a viagem do escritor da sua casa em Lanzarote até Lisboa.
Nos Paços do Concelho, Sócrates recusou comentar a ausência ou presença presidencial. "A única coisa que tenho no meu espírito é o reconhecimento de um povo e de um país que fica a dever muito a José Saramago", declarou.
O corpo do escritor continuará hoje em câmara-ardente no Salão Nobre da Câmara de Lisboa entre as 9h00 e as 10h45, quando as portas do salão serão fechadas para a preparação das cerimónias, a decorrer entre as 11h00 e o meio-dia.
Além das individualidades já citadas e do presidente da autarquia, António Costa, estarão também presentes o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e o professor universitário Carlos Reis. São esperadas ainda a vice-presidente do Governo de Espanha, Maria Teresa Fernández de la Veja, e a ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, bem como alguns dos ministros da Cultura da CPLP, em Portugal a participar na sétima reunião da comunidade lusófona.
Terminada a cerimónia na Câmara de Lisboa, o funeral partirá, pela Rua do Arsenal, para o Cemitério do Alto de São João, onde o corpo será cremado.

