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Alguns dos grandes nomes da Califórnia estão na feira de arte contemporânea de Madrid

Arco 2010: Afinal, o que é que sabemos de Los Angeles?

19.02.2010 - 10:10 Por Vanessa Rato, em Madrid

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Hoje é o primeiro dia totalmente aberto ao público Hoje é o primeiro dia totalmente aberto ao público (Pierre-Philippe Marcou/Reuters)
Há cidades das quais pensamos que sabemos tudo para acabar por descobrir que não sabemos nada. Por exemplo: Los Angeles, o segundo centro artístico norte-americano, depois de Nova Iorque, e também a segunda maior e mais povoada cidade dos Estados Unidos.

Estamos a falar de mais de mil quilómetros quadrados para uma área metropolitana com 18 milhões de habitantes. Tivemo-la aos pés, vista lá de cima, do Observatório de Griffith Park, no topo de Mount Hollywood - um plano infinito de luz e auto-estradas a desaparecer no horizonte. Depois, descemos e vivemo-la por dentro - se é que é possível viver uma cidade assim por dentro. Estivemos ao sol em Venice Beach com os surfistas e body-builders, visitámos ateliers de artistas em Chinatown, atravessámos o deserto yuppie da Downtown, almoçámos entre as caras conhecidas da Rodeo Drive de Beverly Hills e sobrevivemos ilesos a uma noite de jazz entre gangsters e prostitutas em South Central. Ainda assim, a primeira imagem que nos ocorre vem do cinema: Laura Harring - ou, no caso, Rita - a despenhar-se Mulholland Drive abaixo até aterrar, amnésica e amachucada, no pesadelo de uma cidade cheia de sol e palmeiras mas com monstros bem negros escondidos ao virar de cada esquina.

Los Angeles, pois, uma cidade que parece mais real no cinema do que na vida: afinal, o que é que sabemos dela se quisermos pensar exclusivamente, por exemplo, em artes plásticas? Nada. Ou quase nada. Ocorrem-nos nomes - uma lista de nomes: David Hockney, Raymond Pettibon, Allan Kaprow, Ed Kienholz, Ed Ruscha, John Baldessari, Mike Kelley, Paul McCarthy, James Turrell, Chris Burden, Judy Chicago, Miriam Shapiro, Alan Sekula... Nomes e balizas como as marcadas pela Pop de L.A. do arranque dos anos 1960, do Minimalismo Californiano e movimentos como o Light and Space, já de finais da década, do Conceptualismo e da explosão da Performance Art nos anos 1970... Depois, nos anos 1980, precisamente quando a cidade começa a ser reconhecida como grande centro artístico, a imagem torna-se difusa.

"É natural", diz-nos Kris Kuramitsu. "Los Angeles é uma cidade estranha e complexa cuja história, ainda por cima, no que toca às artes visuais, está muito pouco trabalhada."

Primeiro dia na Arco, momento exclusivamente dedicado a visitantes profissionais, com as galerias ainda longe do pequeno pesadelo da abertura ao grande público, corredores transitáveis e arte à vista, sem ser preciso furar muralhas de máquinas fotográficas e famílias inteiras a posar frente a pinturas e esculturas. Com Christopher Miles, Kris Kuramitsu teve a cargo o comissariado da participação especial de Los Angeles na Arco, uma estreia para a feira de arte contemporânea de Madrid que até à edição de 2009 costumava ter um país convidado, em vez de uma cidade (o último foi a Índia, depois de panoramas sobre cenas artísticas como a brasileira, a coreana, a mexicana, a austríaca, a britânica e até, lá mais atrás - em 1998 -, a portuguesa).

"A cidade é um conceito mais contemporâneo e é nas cidades que as coisas acontecem", dizia-nos há dias Lourdes Férnandez, directora da Arco desde a edição de 2007, depois da retirada, em 2006, de Rosina Gómez-Baeza, directora das duas décadas anteriores. A sucessora de Los Angeles, explicava-nos também, ainda não está escolhida, por isso é em Los Angeles que ficamos. Numa Los Angeles, afinal, sem enormes arestas, relativamente bem comportada e homogénea, dentro da diversidade própria de uma grande metrópole, a primeira nos Estados Unidos que se estima ter neste momento uma população maioritariamente latina, a juntar às comunidades afro-americanas e de origem asiática.

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