Os vereadores da oposição na Câmara de Torres Vedras contestaram a aquisição pela autarquia de um garrafão de vinho gigante em ferro forjado da artista Joana Vasconcelos, justificando a contestação com o contexto de crise económica.
“Há outras prioridades e comprar uma peça de arte é uma ofensa para os munícipes de Torres Vedras perante as dificuldades que as famílias atravessam”, defendeu em declarações à Lusa Paulo Bento, vereador e cabeça de lista à câmara pela coligação PSD/CDS-PP nas últimas eleições autárquicas.
A peça, intitulada “Sr. Vinho”, de cinco metros de altura, foi adquirida pela Câmara Municipal de Torres Vedras para instalar na cidade e está em exposição até 18 de Maio no Jardim das Oliveiras, no Centro Cultural de Belém, integrada na exposição “Sem rede”.
A peça está avaliada em 300 mil euros, mas foi adquirida pela autarquia por 149 mil euros, revela o site das contratações públicas.
O presidente da autarquia, Carlos Miguel, esclareceu que o valor vai ser repartido ainda com mecenas, depois da encomenda feita à artista já no Verão de 2009, vindo a ser escolhido, entre duas propostas, a do garrafão por “reforçar a ligação de Torres Vedras ao vinho”.
Paulo Bento, que criou um movimento contra a aquisição da obra de arte no Facebook, rede social da Internet, defendeu que a verba paga pela autarquia deveria antes ser aplicada em obras nas escolas ou na recuperação de estradas “completamente danificadas”. “Entendemos que equipamentos públicos de referência deviam ter uma obra de arte que os acompanhassem. Neste sentido, para o mercado municipal, que é a maior obra pública que a câmara fez [sete milhões de euros], decidimos ter uma obra de arte que melhor vincasse esse investimento”, justificou por seu lado Carlos Miguel.
“Lamentamos que mais uma vez o senhor presidente da câmara faça uma compra deste valor sem sequer levar o assunto à câmara, utilizando artifícios legais”, acrescentou, contestando que a maioria socialista não tenha informado o executivo da compra quando “ao que parece a encomenda está feita há mais de dois meses”.
O presidente da câmara justificou que, face ao valor da aquisição, a contratação poderia ser efectuada por ajuste directo, sem deliberação do executivo.



