António Sérgio: duas centenas de pessoas no funeral de um homem da rádio

02.11.2009 - 18:51 Por Lusa
Duas centenas de pessoas estiveram hoje presentes no funeral de António Sérgio, o radialista que ao longo de quatro décadas divulgou a música alternativa aos portugueses, ajudando a lançar bandas como os Xutos & Pontapés.
António Sérgio morreu sábado à noite em consequência de um problema cardíaco, e foi hoje a enterrar no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
As cerimónias fúnebres tiveram início às 15h00 na Basílica da Estrela e terminaram no cemitério dos Prazeres, com duas centenas de pessoas a comparecerem no último adeus ao homem da rádio.
Entre as duas centenas de pessoas que assistiram à missa na Basílica estiveram figuras da televisão, da rádio e da música.
O vocalista de uma das bandas “descobertas” por António Sérgio, os Xutos & Pontapés, adiantou à agência Lusa que “Portugal perde uma pessoa que tinha um excelente gosto pela música, que dava uma ajuda na escolha daquilo que vale a pena ouvir”.
“O António Sérgio foi a pessoa que nos iniciou na carreira artística a sério. Tínhamos o conjunto e ele como divulgador pegou em nós. Ele tinha a sua visão e nós estávamos a aprender a tocar”, disse o vocalista dos Xutos, Tim.
O guitarrista da mesma banda, Zé Pedro, considerou que “perder António Sérgio é perder uma referência enorme da rádio em Portugal e, principalmente, da divulgação da música”.
“Influenciou certamente uma data de gerações em Portugal. Ouvintes de música e conhecedores conseguiram aprender com os novos nomes que o Sérgio conseguia divulgar e dar a conhecer. Incluindo os Xutos & Pontapés”, adiantou Zé Pedro.
“Quando nós começámos, a opinião que queríamos era mesmo a do António Sérgio. Não era de pessoas ligadas às editoras. Era saber o que é que ele achava do que andávamos a fazer”, adiantou.
Nuno Calado, outro divulgador de música alternativa, locutor da Antena 3, também assistiu à cerimónia fúnebre do amigo que há 18 anos atrás conheceu e seguiu como referência.
“Ele era uma pessoa fantástica, com um coração enorme. Era alguém que da mesma forma que gostava de partilhar os discos, gostava que aparecessem pessoas que o seguiam”, disse.
Segundo Nuno Calado, com a morte do ultimo radialista de autor, Portugal e a rádio ficaram a perder.
“O que se perdeu foi uma liberdade de pensamento, a liberdade de escolher a música que gostava e mostrá-la. A música em Portugal acaba por perder por inerência, quer em termos de divulgação de bandas nacionais quer internacionais”, disse.
Às 15:30, o corpo de António Sérgio deixou a Basílica da Estrela em direcção ao cemitério dos Prazeres, sob um forte aplauso de amigos e conhecidos do homem da rádio.


