Se não fosse por temer a concorrência da “dupla da treta”, António Feio e José Pedro Gomes, Herman José confessa que o seu percurso no humor podia ter sido outro. Foi por culpa deles que foi buscar Nuno Artur Silva e daí nasceram as Produções Fictícias, responsáveis pelos textos do humorista e empresa reduto de uma enorme fatia do humor português das últimas décadas. No dia da morte de António Feio, quando tantas vozes se levantam para enaltecer o papel do humorista e homem do teatro. Herman lembra-se de uma pessoa: José Pedro Gomes: “Para todos os efeitos é como se uma metade dele tivesse desaparecido.”
A outra metade que Herman refere, José Pedro Gomes, lembrou também hoje António Feio como o homem que teve a culpa das pessoas voltarem ao teatro. “É uma perda muito grande para os amigos e para todos os portugueses”, disse José Pedro Gomes à Lusa.
Herman José (humorista)
“Tinha inveja dele. Pelo facto de ter sido actor muito jovem, com uma primeira fase da carreira miúdo e pela mágica que tinha com o José Pedro Gomes. Quando se juntavam havia ali uma explosão. Uma coisa parecida com o que me acontece com a Maria Rueff.”
José Pedro Gomes (actor e humorista)
“O que nos uniu, antes mesmo de nos tornarmos amigos, ou íntimos, chamemos-lhe assim, foram as conversas sobre o que achavamos sobre o teatro, o que lhe faltava e o que queríamos fazer. Ao António interessava dialogar com o público. É preciso ter uma grande vontade de chegar ao público sem que isso seja facilitar o caminho do público."
Ana Bola (actriz e humorista)
“Ele era um tipo sem mácula, incapaz de criar uma situação mais complicada aos outros. Era um excelente colega, sem necessidade de protagonismo porque ele era um protagonista natural. Todos nós quisemos acreditar que ele iria mesmo ‘matar o bicho’, como ele dizia. Infelizmente foi o bicho que o matou e prematuramente. Ele tinha ainda muito para fazer.”
Nuno Artur Silva (director das Produções Fictícias)
O António foi cedo demais. É injusto que lhe tenha sido tirada a possibilidade de fazer o que ele fazia tão bem, que era, sobretudo, dirigir pessoas, encenar peças e entrar nelas e fazer isto tudo com um grande sentido de humor, com grande simplicidade, sem complicar”.
Paulo Dias, produtor da UAU
"Ele tinha prazer em ter o público à sua frente. O António era uma pessoa simples que estava interessado em trabalhar para toda a gente. O modo como ele enfrentou a doença é também a forma como ele sempre viveu e trabalhou. Fazer teatro em Portugal é extremamente difícil, e é uma grande batalha, e o que ele fez com o tal “bicho no pâncreas”, como ele lhe chamava, foi o equivalente ao modo como ele trabalhava. Foi uma força que ele transportou para a doença dele. "
António Reis, Seiva Trupe
"Era um homem que, mesmo sofrendo com a doença que o conduziu à morte, manteve sempre o espírito de humor. Tinha um talento inusitado, quer como actor quer como encenador. Era um homem bom, sério, dedicado, com um humor elegante.”
José Jorge Letria, escritor e presidente da SPA
"O teatro português perde um dos seus actores mais versáteis e também um encenador muito experiente e inspirado e com um talento especialíssimo para a comédia. Uma comédia moderna, ágil, de costumes, muito virada também para o ‘nonsense’, para o jogo com a linguagem do quotidiano, coisa que aconteceu muito com a ‘Conversa da Treta’."
Carlos Avillez, encenador e director do Teatro Experimental de Cascais
“Sinto um grande desgosto, saudade e ternura. Era um miúdo muito simpático, com um grande sorriso que manteve sempre." (António Feio estreou.-se no TEC aos 11 anos).
Fernando Fragata, realizador
"Era um génio do mundo artístico que não precisava de um guião para fazer humor. Sinto-me privilegiado por ter trabalhado com ele e é com muita mágoa que vejo a morte dele. Tinha planos para voltar a trabalhar com ele.
”
Reacções recolhidas por Lusa, Tiago Bartolomeu Costa e Vitor Belanciano
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