Amigos do Museu Arte Antiga pedem ao Ministério da Cultura que traga para Portugal "Súplica de D. Inês de Castro"

19.06.2008 - 16:42 Por Lusa
O Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga pediu ao Ministério da Cultura que adquira a pintura "Súplica de D. Inês de Castro", de Francisco Vieira (1765-1805), que será vendido em hasta pública em Paris.
José Blanco, presidente do conselho director do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga (GAMNAA), revelou hoje à Agência Lusa que enviou uma carta ao ministro da Cultura dando conhecimento da venda, prevista para dia 25 de Junho, e manifestando apoio a "todos os esforços que o Governo português entenda" para adquirir a pintura.
O preço de licitação "poderá atingir 200 mil euros, quantia, aliás, que não parece excessiva para o valor intrínseco do quadro", sublinha o presidente da entidade na missiva enviada ao ministro José António Pinto Ribeiro.
"É uma pintura fundamental de um grande pintor português", salientou o responsável, acrescentando que a obra de Francisco Vieira de Matos - de seu nome artístico Vieira Portuense - possui um "interesse extraordinário para o património nacional" do país.
José Blanco defende que o quadro deve ser recuperado e integrado no acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, que já detém algumas obras do artista, nomeadamente o óleo sobre tela "Leda e o Cisne" (1798) e "Retrato de Desconhecido", sem data.
"Súplica de D. Inês de Castro" foi executado para o Palácio da Ajuda e o seu rasto perdeu-se desde 1807, altura em que foi levado para o Brasil pela Corte Portuguesa, tendo permanecido no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, até à proclamação da república no país, regressando à Europa, como sucedeu a muitas peças de arte da família real.
O reaparecimento do quadro em Paris, para ser vendido em hasta pública por Pierre Bergé & Associés, "coincide com as comemorações em curso do bicentenário da partida da Família Real para o Brasil, nas quais se têm empenhado os governos português e brasileiro", salienta José Blanco na missiva à tutela.
Nascido no Porto, em 1765, Francisco Vieira de Matos escolheu como nome artístico Vieira Portuense, estudou em Lisboa e em Roma, e foi um dos introdutores do neoclassicismo na pintura portuguesa.
Adoeceu com tuberculose e mudou-se para a Madeira, onde morreu com apenas 39 anos.

