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Crise no D.Maria II

Administração do teatro alertou a tutela para a impossibilidade de mais cortes

17.11.2011 - 18:15 Por Lusa

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Teatro D.Maria II: administração pediu regime de excepção aos cortes Teatro D.Maria II: administração pediu regime de excepção aos cortes (Pedro Cunha)
O conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) indicou hoje à agência Lusa que avisou a tutela da “impossibilidade de reduzir em mais 15% os custos fixos” da entidade em 2011, e pediu um regime de excepção.

Em resposta a questões enviadas por e-mail pela Lusa, o conselho de administração, presidido por Maria João Brilhante, recordou que os cortes nos custos do TNDM II já tinham sido feitos em 2008 e 2009, com a anterior tutela do Ministério da Cultura.

Na quarta-feira, o director artístico do TNDM II, Diogo Infante anunciou que suspendia a programação para 2012 por falta de condições financeiras, e na sequência dessa decisão foi afastado do cargo pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Como fundamento da decisão de Diogo Infante estiveram “as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo e os cortes previstos no recentemente aprovado Orçamento do Estado, que atingiram, no caso do TNDM II, um valor acumulado em 2012 na ordem dos 36%, agravado pelo aumento da taxa do IVA (23%)”, segundo um comunicado divulgado nesse dia pela entidade.

Questionada hoje pela Lusa sobre a situação orçamental do teatro, a administração indicou que “o TNDM II fizera já esses cortes em 2008 e 2009, equilibrando as contas do teatro, pelo que apresentou às tutelas um plano de actividades e orçamento para 2011 onde demonstrava detalhadamente a impossibilidade de reduzir em mais 15% os custos fixos, solicitando a excepcionalidade na aplicação de mais esse corte”.

Ainda segundo a administração, “foram iniciadas de imediato negociações com o subdiretor-geral do Tesouro e Finanças, fornecendo o teatro todos os esclarecimentos solicitados, tendo ficado a administração a aguardar uma resposta”.

“Importa clarificar que esta redução de 15% nunca foi associada à definição do valor do financiamento para 2011 (indemnização compensatória), como, aliás, foi entendido e praticado também na gestão dos outros teatros nacionais, pelo que, como se compreende, daí não decorria nenhuma alteração no esforço financeiro do Estado para com estes teatros”, sustenta a administração.

Acrescenta que o TNDM II “equilibrou as suas contas no exercício de 2009, tarefa que foi realizada com enorme esforço de racionalização, como está patente no Relatório e Contas de 2009, aprovado pelas tutelas com um voto de louvor”.

“O corte adicional está efectivamente refletido no valor agora proposto para o financiamento deste teatro em 2011, a partir do qual será então aplicado o corte previsto para no Orçamento do Estado de 2012”, sustenta.

Ainda segundo a administração, o TNDM II “recebeu orientação do Ministério das Finanças (tal como todas as Empresas Públicas Empresariais), no final de 2010, para cortar 15% dos seus custos fixos com vista à sua reaplicação nos custos variáveis, ou seja, na atividade decorrente da programação”.

Questionada sobre a situação da companhia residente, a administração indicou que o TNDM “tem um núcleo residual de seis atores”.

Sobre os números de público do teatro desde 2009, indica que nesse ano ascendeu a 61.125 bilhetes, em 2010 subiu para 73.119 e em 2011, desde Janeiro até agora, situa-se nos 55.967.

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