Cinema

A tragédia de Anne Frank, pelas lentes de Mamet e da Disney

17.08.2009 - 12:54 Por Vanessa Rato

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Foram 25 meses com o pai, a mãe, a irmã e quatro pessoas de outra família no pequeno sótão de uns escritórios de Amesterdão que ficaria conhecido como o Anexo Secreto - hoje casa museu Foram 25 meses com o pai, a mãe, a irmã e quatro pessoas de outra família no pequeno sótão de uns escritórios de Amesterdão que ficaria conhecido como o Anexo Secreto - hoje casa museu (DR)
Projecto inesperado este para um grupo especializado em futuros pintados de cor-de-rosa, mas tudo parece organizado para em 2011 ficarmos a saber o que foi a vida de Anne Frank quando observada através das lentes da grande fábrica de sonhos da Disney.

O filme foi anunciado esta semana, decorridos exactamente 65 anos sobre a captura da jovem adolescente judia que durante a II Guerra Mundial passou dois anos escondida num pequeno sótão em Amesterdão, na Holanda, até ser encontrada pela polícia Nazi e deportada com a família para Auschwitz, acabando por morrer no campo de concentração de Bergen-Belsen quanto tinha apenas 15 anos.

Segundo anunciado, o argumento e realização ficarão a cargo de David Mamet, que utilizará material de uma peça de teatro dos anos 1950 por sua vez baseada no relato que Anne Frank foi fazendo do seu quotidiano num diário intimo postumamente editado e publicado em 1947 sob o título O Diário de Anne Frank, hoje entre as obras mais lidas do mundo, com tradução em cerca de 60 línguas e com mais de 25 milhões de exemplares vendidos.

Foram 25 meses com o pai, a mãe, a irmã e quatro pessoas de outra família no pequeno sótão de uns escritórios de Amesterdão que ficaria conhecido como o Anexo Secreto - hoje casa museu. Os relatos de Anne acabam no dia 1 de Agosto. "Enquanto toda a humanidade, sem excepção, não passar por uma grande metamorfose, a guerra vai-se espalhar, tudo o que é construído, criado e cultivado, será cortado e exterminado de novo, para de seguida começar outra vez", escreveu pouco tempo antes.

Segundo a “Vanity Fair”, depois de dezenas de produções tanto para cinema como para teatro e televisão, o plano da Disney é reenquadrar a história, focando esta nova narrativa não apenas nas observações da jovem sobre a guerra, o Holocausto e a monotonia da vida em esconderijo, mas dando também luz a episódios da história que possam ser universalmente identificados com o ritual de passagem constituido pela adolescência. É o caso das passagens em que Anne, na altura com 13 anos, descreve a sua relação com Peter Ven Pels, também confinado no Anexo Secreto.

Especula-se que, segundo relatado por Anne, o jovem casal tenha tido sexo em várias ocasiões sem o conhecimento dos seus pais, mas que as passagens explícitas tenham sido cortadas da versão publicada a pedido de Otto, o pai de Anne, o único membro da família que sobreviveu ao Holocausto. Desde a sua morte, em 1980, o Anne Frank Estate, que gere o legado da jovem, tem sido o cioso guardião da história, chegando a recusar uma série da cadeia de telvisão ABC em 2001.

Segundo o diário norte-americano “The New York Times”, Andrew Braunsberg, co-produtor do filme da Disney com David Mamet, enfrentou um ano de negociações até conseguir acordo com o Anne Frank Estate, mas também com Albert Hackett e Frances Goodrich, que co-escreveram a peça dos anos 1950 que Mamet, Pulitzer em 1984, vai retomar. O “New York Times” chama ainda a atenção para o risco do projecto: apesar do Óscar de Shelley Winters para Melhor Actriz Secundária, a versão cinematográfica de 1959, não foi um grande sucesso de bilheteira. Talvez os tempos tenham mudado.

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gvtgvb j nj jbuin

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Anónimo

05.01.2010 19:02

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