O auditório 2 da Gulbenkian estava mais que esgotado, com gente sentada nas escadas e no chão. Uma outra plateia foi improvisada no átrio junto ao bengaleiro, e também essa esgotou. Restava a escadaria que leva ao grande auditório, e foi aí que se sentaram as últimas dezenas de pessoas. Tudo isto para ouvir um dos mais populares escritores contemporâneos, Amin Maalouf, 60 anos, libanês a viver em França há muito.
É nessa dupla condição, de ocidental e árabe, que Maalouf escreveu o seu último livro, “Um Mundo Sem Regras”, acabado de publicar em Portugal, no qual defende uma reinvenção urgente do mundo, contrariando a tese do conflito de civilizações. Hoje, pensa Maalouf, existe apenas uma civilização, e ou morremos juntos ou nos salvamos juntos.
Num diálogo moderado por António Vitorino, depois de uma apresentação feita pelo embaixador António Monteiro, Maalouf sublinhou a necessidade de cada cultura participar dessa “civilização global”, em que não deve haver uns direitos do homem para a Europa e outros para o mundo árabe ou para África. “Preservar as culturas, mas unificar os valores”, defendeu, é imperioso.
A este desafio juntam-se a iminência de uma catástrofe climática e a necessidade de novos paradigmas na economia global. É a isto que terá de responder o homem que surgiu como uma esperança planetária, Barack Obama. Um primado da cultura e uma nova relação com as comunidades imigrantes são algumas das chaves propostas por Maalouf.


