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“A Matilde foi a fada madrinha para a literatura infantil”

06.07.2010 - 11:16 Por Lusa, PÚBLICO

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Várias figuras do mundo da cultura e da política, em reacção à morte de Matilde Rosa Araújo, destacaram hoje a importância da escritora, em especial no campo da literatura para crianças.

A escritora morreu esta madrugada, aos 89 anos, na sua residência em Lisboa. De acordo com fonte da Editorial Caminho o corpo de Matilde Rosa Araújo será velado hoje na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.

Cavaco Silva, Presidente da República: Matilde Rosa Araújo “ganhou o respeito dos seus pares e de todos os inúmeros leitores de diferentes gerações que apreciaram os seus livros. É, pois, muito justo que, neste momento de luto, preste a minha homenagem a uma mulher merecedora do respeito de todos os que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional”.

Ministério da Cultura: A ministra e o secretário de Estado, em nome do Governo e em seu nome pessoal, "expressam a sua profunda consternação pelo falecimento da escritora Matilde Rosa Araújo, autora de livros de contos e poesia, que revolucionou a literatura infanto-juvenil através de uma escrita singular, que criou e povoou o imaginário de inúmeras crianças portuguesas e que influenciou inequivocamente gerações de escritores contemporâneos de literatura para a Infância e Juventude. A enorme qualidade e criatividade da sua escrita, justamente reconhecida e homenageada em vida, foi também reflexo de uma cidadania activa, profundamente empenhada nos direitos das crianças, que deixará imensa saudade e que continuará a ser recordada por todos quantos a conheceram e os muitos mais que leram a sua escrita. Na literatura infanto-juvenil haverá sempre um antes e um depois de Matilde Rosa Araújo".

Isabel Alçada, ministra da Educação:Matilde Rosa Araújo “teve um efeito extremamente importante na sensibilidade dos professores e na forma como os livros são lidos na sala de aula”. “Deu um contributo maravilhoso para a nossa literatura e para a forma como os adultos se relacionam com as crianças”. “Estou muito comovida com a notícia da morte". "Era uma pessoa com uma grandeza de alma extraordinária”, por quem “tinha a maior admiração”.

António Torrado, escritor: “Era a medida padrão para a literatura infanto-juvenil”. “A Matilde foi a fada madrinha para a literatura infantil”. “Nunca procurou a fama ou o ‘best-seller’ e encarou a literatura como um sacerdócio”, e “acarinhou sempre os escritores jovens”. “Matilde Rosa Araújo soube fazer o que Sebastião da Gama, de quem foi amiga, disse em relação ao professor: ‘ser professor é ser’; e Matilde foi professora com dedicação total e também como escritora. Ser escritora é ser.” Em “O livro da Tila”, de 1957, “inaugurou uma modalidade poética séria para as crianças, sem ceder à poesia infantilizante que se fazia”. “A poesia para as crianças tem a mesma exigência e qualidade que para os adultos”.

José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores: Matilde Rosa Araújo foi responsável “pelo inventário e reinvenção do imaginário infanto-juvenil”. Destaque para os “caminhos que Matilde Rosa Araújo abriu”, pela “extrema qualidade do seu trajecto enquanto docente e escritora da juventude, que não deixam na penumbra os seus escritos poéticos”. “Era uma mulher de grande abertura ao mundo, incrivelmente generosa e participativa”. “Uma leitora infatigável, uma mulher da cultura, muito solidária”. “De alguma forma, tínhamo-la como uma grande decana das letras portuguesas, associada a uma tradição que nunca entravava o futuro, mas pretendia renová-lo”.

Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura: “Uma figura de referência da literatura para crianças” e uma escritora de “enorme talento, imaginação e sensibilidade”. “Era certamente uma das pessoas que mais contribuíram para o gosto pela leitura entre os mais pequenos”. “Tinha um enorme talento, imaginação e uma requintada e fina sensibilidade”. “A sua literatura para crianças e jovens é absolutamente notável. Ficará sempre na nossa memória. É uma figura de referência da literatura para crianças e continuará a ser lida”.

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