No seu último dia como presidente do Conselho de Administração da Fundação Centro Cultural de Belém, António Mega Ferreira não se refugiou no escritório e o frio não o impediu de esperar por Vasco Graça Moura, o seu sucessor, no hall de entrada do CCB. Aparentemente bem-disposto, e como bom anfitrião, Mega chegou antes da hora combinada para o encontro – previsto para as 10h – e cumprimentou os funcionários da recepção, que hoje conhecerão o novo presidente.
Com nevoeiro, não se vê grande coisa para fora das paredes de vidro do módulo 1 do CCB, mas Mega Ferreira mantém-se com o olhar na porta rotativa, por onde a qualquer momento poderá entrar Vasco Graça Moura. Enquanto espera, não quer prestar declarações ao PÚBLICO, justificando que o dia é de Graça Moura que esta segunda-feira assume o seu lugar. No último dia na instituição que dirigiu nos últimos seus anos – desde 2006 -, não quer falar em despedidas ou balanços.
Às 10h Graça Moura ainda não chegou mas Mega Ferreira não parece notar o atraso. Cerca de 10h15, mal avista o escritor, que já foi secretário de Estado, eurodeputado e presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Mega Ferreira apressa-se a caminhar para a porta, para ser o primeiro a cumprimentar o seu sucessor.
Ao lado de Mega Ferreira está Miguel Leal Coelho, o único elemento do conselho de administração que continua no cargo e que rapidamente é apresentado a Graça Moura, com quem passará agora a trabalhar. Não se conhecem, mas a reunião desta segunda-feira servirá também para isso.
Após uma decisão de sucessão com bastidores polémicos – na terça-feira, dia 17, o secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas tinha dito a Mega Ferreira que seria reconduzido no cargo para mais um mandato de três anos –, o primeiro encontro entre os dois escritores aconteceu sem grandes euforias, mas também sem tensão.
Os cumprimentos foram cordiais e a conversa de circunstância. “Então como tem passado?”, pergunta Mega Ferreira, enquanto conduz Graça Moura ao elevador que os levará à sala onde se reunirão por tempo indeterminado. O escritor de 70 anos é o novo presidente da instituição mas para já é Mega Ferreira, de 63, quem conhece os cantos à casa.
Hoje, Graça Moura ficará a conhecer melhor o funcionamento da Fundação CCB, os trabalhos e organização da instituição. Começa um mandato que a SEC não dúvida que será “capaz de enfrentar da melhor forma ao longo dos próximos três anos”.
Mega Ferreira fecha a porta.



