Da subida do mar à arquitectura em Bissau, a ciência nacional em injecções de 15 minutos

08.07.2010 - 12:25 Por Nicolau Ferreira
Ontem terminou o Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal que mostrou os quadrantes da investigação feita no país durante quatro dias de conferências.
As limitações da medição do nível médio do mar não estão ultrapassadas e os quinze minutos que Susana Barbosa teve para explicar o estado da investigação que faz apenas lançam as dúvidas. Apesar da tendência para o aumento do nível médio do mar por causa do degelo, há outros factores: regiões do mundo em que o nível diminui enquanto na maioria aumenta, a subida da temperatura do mar que expande o volume de água e a própria movimentação dos continentes.
O primeiro passo para responder a estas incógnitas é ter bons métodos para medir a altura dos oceanos. Na terça-feira, a investigadora do Instituto Dom Luís, da Universidade de Lisboa, explicou quais os instrumentos que são utilizados para esta medição e a distância a que estamos para termos dados consistentes para realizar previsões apuradas. A conferência decorreu durante o Encontro Com a Ciência e Tecnologia em Portugal, no Centro de Congressos de Lisboa, que começou no domingo dia 4 de Julho e terminou ontem.
Segundo o estudo de Susana Barbosa, o mar está a subir três milímetros por ano. Os dados foram retirados a partir de marégrafos, que estão junto à costa, e dos satélites. Apesar de os instrumentos se complementarem, os satélites não conseguem fazer registos a 50 quilómetros de distância das regiões costeiras e o registo feito por marégrafos é influenciado por muitos factores. "As previsões regionais são as mais importantes", explicou e os próprios registos são recentes. "Há um grande desconhecimento e é difícil explicar a incerteza", refere.
A investigadora estava na sala E, integrada na sessão das 14h que reuniu mais quatro apresentações no pacote Clima e Alterações Climáticas. Desde domingo à tarde até ontem, realizaram-se centenas de conferências, em cinco salas diferentes, algumas apresentações maiores e workshops especializados. A liberdade de se poder saltar de sala em sala contrabalançava com a angústia de se saber que se estava a perder mais três palestras potencialmente interessantes.
O investigador Jorge Pacheco arrancou com a sessão chamada Matemática dos Jogos e Optimização na sala B. O estudo que trouxe testava a capacidade de cooperação de um grupo limitado de pessoas para salvaguardar o mundo de alterações climáticas irreversíveis. Cada pessoa tinha um montante e se reunissem o dinheiro suficiente atingiam o objectivo.
Através de inquéritos, o estudo concluiu que quanto mais as pessoas sentem o risco mais cooperam. O cientista da Universidade do Minho também mostrou que a diversidade de grupos promove a cooperação e isso possibilita estratégias de combate às alterações climáticas a diferentes níveis. Em que o compromisso de cada pessoa é maior.
"O que o nosso estudo mostra claramente é que a percepção do risco aliada a diversidade dos desafios que diferentes grupos abordam, optimiza as condições para abordar de forma bem sucedida o aquecimento global", explicou Jorge Pacheco por email. Para que no panorama geral o trabalho dos grupos resultasse globalmente o cientista sugere a procura de interesses comuns entre países ou regiões através da maquinaria política, social e económica. "Poderiam jogar um jogo de bem público para despoluir um lago, para usar energia solar, para recorrer a energia das ondas, para encarcerar CO2", exemplifica.
A sala A foi reservada para as ciências biológicas e para a Medicina. O trabalho apresentado por Helena Azevedo, do grupo 3B"s da Universidade do Minho, foi sobre a engenharia de tecidos. A equipa está a tentar produzir uma matriz extracelular, que existe entre as camadas de células, a partir da agregação espontânea de aminoácidos, os elementos que compõem as proteínas. O objectivo é produzir uma camada que promova a regeneração e multiplicação celular correcta.

