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Bioterrorismo

Vírus da varíola tem pouca diversidade genética, o que facilita concepção de antivirais

28.07.2006 - 10:56 Por Clara Barata, , (PÚBLICO)

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Depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, as atenções voltaram-se para a possibilidade de atentados usando agentes patogénicos como a varíola Depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, as atenções voltaram-se para a possibilidade de atentados usando agentes patogénicos como a varíola (DR)
O vírus da varíola, a única doença erradicada da face do planeta, tem pouca diversidade genética, pelo que poderá não ser difícil detectá-lo e tratar eventuais infecções, se alguma vez se concretizar o cenário de um ataque terrorista espalhando este agente biológico algures no mundo.

Mas também se recombina facilmente com outros vírus da família Pox, e é de crer que seja possível reconstruir o vírus da varíola em laboratório, conclui uma equipa internacional de investigadores que publica hoje, na edição on-line da revista Science, uma análise do genoma da varíola.

Depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, e dos envelopes com carbúnculo, que fizeram várias vítimas, as atenções voltaram-se para a possibilidade de atentados usando agentes patogénicos como a varíola - uma doença dada como extinta em todo o mundo em 1980, e em relação à qual poucas pessoas hoje têm ainda imunidade.

Pelo menos oficialmente, há apenas dois laboratórios de alta segurança que têm amostras do vírus da varíola: os Centros de Controlo e Prevenção das Doenças (CDC), em Atlanta (EUA) e o Centro Estatal de Investigação em Virologia e Biotecnologia (VECTOR), na Rússia.

A destruição destas amostras estava aprazada mas, depois do 11 de Setembro, cientistas e responsáveis políticos fizeram enorme pressão na assembleia da Organização Mundial de Saúde para a adiar, para retomar a investigação (ver caixa). Afinal, a erradicação da doença foi feita com as armas clássicas da medicina e da biologia, antes de os cientistas terem a tecnologia que lhes permite ler, letra a letra, o património genético de todos os seres vivos.

Assim, a equipa de Joseph Esposito, do CDC, analisou 45 amostras do vírus guardadas nos EUA e na Rússia, colhidas nos últimos 30 anos em que o vírus existiu na natureza. O objectivo era comparar a sua virulência, origem geográfica e diferenças ao nível do genoma e das proteínas produzidas pelo vírus, que podia causar uma mortalidade entre 1 e 30 por cento do total de infecções.

A equipa concluiu que existiam três ramos evolutivos do vírus (África ocidental, Ásia e América do Sul), mas que apresentava poucos genes e pouca diversidade genética.

Esta falta de variedade é uma boa notícia para os que procuram preparar-se para um eventual ataque bioterrorista que use a varíola, dizem os cientistas: "Pode ajudar ao desenvolvimento de antivirais eficazes."

Mas esta simplicidade genética e a reconhecida facilidade dos vírus de Pox em se recombinarem pode também facilitar a construção de um vírus de varíola de laboratório - parece algo improvável, mas há já cientistas a tentar fazer vida artificial, montando vírus como peças de Lego. "O avanço rápido da tecnologia torna importante compreender a diversidade da sequência [genética] e o proteoma [as proteínas produzidas pelo vírus] para desenvolver medidas contra patogénios criados com intenção maléfica", escrevem os cientistas.

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