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Pacientes com seis meses de vida

Terapia genética causa remissão de cancro da pele em dois doentes

01.09.2006 - 09:21 Por Reuters

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Mark Origer foi um dos pacientes que sobreviveu Mark Origer foi um dos pacientes que sobreviveu (AP/Família Origer)
Dois doentes que sofriam de uma variante fatal de cancro da pele foram tratados com células imunitárias geneticamente alteradas e os tumores de que padeciam entraram em remissão e desapareceram. Apesar do sucesso destes dois casos, 15 outros pacientes que participaram nos testes ao novo tratamento não reagiram da mesma forma.

O estudo, cujos detalhes são hoje revelados na revista científica "Science", foi realizado por investigadores norte-americanos do Instituto Nacional do Cancro (NCI, na sigla em inglês), que se mostram cautelosos na apresentação dos resultados. Os investigadores e peritos ouvidos depois de o estudo ter sido anunciado acreditam que é necessário mais trabalho para que a nova terapêutica se torne ainda mais eficaz.

Ainda assim, os resultados obtidos até agora provam que os doentes oncológicos podem ser tratados com sucesso através da terapia genética, uma área polémica onde as questões de segurança são ainda um obstáculo significativo ao trabalho.

Os investigadores do NCI tiveram como objecto de estudo 17 pacientes com melanoma, a quem foram administrados os seus próprios glóbulos brancos, que tinham anteriormente sido manipulados geneticamente para que estivessem aptos a combater tumores. Os dois homens em que a terapia resultou "estão até hoje completamente livres da doença", como explica o responsável pela cirurgia do NCI, Steven Rosenberg.

Os dois homens que entraram em remissão viram os seus tumores desaparecer ou encolher até tamanhos que permitiam a cirurgia.

Todos os doentes sofriam de cancro da pele numa fase avançada e não tinha qualquer hipótese de cura através das terapias convencionais. A sua esperança de vida ao embarcarem neste estudo era de apenas seis meses.

Os glóbulos brancos, cuja actividade no sangue é imunitária, foram armados com genes que deveriam desencadear a produção das proteínas receptoras de antigénio das células (T-cell receptors). Esses receptores reconheceram móleculas nas células de melanoma e dirigiram os glóbulos brancos rumo à destruição do cancro.

Peritos congratulam-se com avanço mas insistem na cautela

"Este é certamente um avanço técnico significativo, que vai alimentar mais interesse e mais entusiasmo entre os investigadores", comentou Michel Sadelain, director do laboratório do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, que frisou, ainda assim, que o número de sucessos "é bastante desalentador".

O antigo presidente da American Society of Gene Therapy disse hoje que os investigadores do NCI "têm de aplicar a terapia a mais pacientes e obter melhores taxas de resposta; quando isso acontecer, podemos todos abrir o champanhe".

A terapia genética encerra em si grandes possibilidades para vários tipos de doenças, mas os perigos da sua utilização têm sido impeditivos do desenvolvimento da investigação - dois rapazes franceses com uma grave doença imunitária que os obrigava a viver num ambiente selado e esterilizado curaram-se graças à terapia genética, mas mais tarde acabaram por desenvolver leucemia.

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