As múmias conservadas em vários museus de todo o mundo começam a revelar segredos que podem ser de grande utilidade para a medicina moderna, através de possíveis vestígios de doenças que tenham afectado o ser humano, nomeadamente no Antigo Egipto.
Um grupo de cientistas retirou amostras de tecidos de mais de um milhar de múmias para elaborar um mapa médico que indica a evolução de algumas doenças durante cinco mil anos de história.
Segundo o diário britânico "The Times", os egiptólogos do Centro de Egiptologia Biomédica da Universidade de Manchester, em Inglaterra, estudaram a evolução da esquistossomíase, uma doença do aparelho digestivo conhecida por bilharziose (infecção provocada por um parasita que vive em águas contaminadas), desde a antiguidade até aos dias de hoje.
Os peritos descobriram que mesmo um estilo de vida privilegiado entre os antigos egípcios não impedia os sintomas debilitadores que podiam levar à morte dolorosa por culpa do parasita que causa a doença. As classes altas da sociedade egípcia nadavam em piscinas alimentadas pela água dos mesmos canais usados pelo resto da população e onde se desenvolviam as larvas.
Os cientistas dirigem agora a sua atenção para outras doenças importantes como o paludismo, assim como outros vírus, acreditando poder comparar, com ajuda do ADN, as doenças que afectaram os nossos antepassados com as que atacam actualmente a humanidade.
Segundo a professora Rosalie David, directora do centro biomédico, as múmias "representam um museu das doenças".
A chave para a exploração dos segredos dos túmulos foi o desenvolvimento, por Patrícia Rutherford, da imunocitoquímica como ferramenta de diagnóstico para detectar a presença da bilharziose no corpo humano.


