A União Europeia viu ontem ser lançado, do Cazaquistão, o segundo e último satélite experimental do projecto europeu Galileo, sistema de navegação rival do norte-americano Global Positioning System (GPS), e procurou afastar as dúvidas da indústria sobre a viabilidade do programa de 3400 milhões de euros.
O projecto Galileo, maior programa espacial da Europa, foi alvo de atrasos sucessivos que só terminaram quando os 27 Estados membros concordaram em canalizar fundos públicos para o seu financiamento.
Este satélite experimental Giove-B - posto em órbita por um foguetão russo - destina-se a testar tecnologias que serão incorporadas nas 30 plataformas operacionais da rede Galileo: relógios atómicos de alta-precisão para as aplicações dos sistemas de navegação e o canal triplo de transmissão dos sinais, informou a Comissão Europeia.
"O projecto estará operacional em 2013 e temos a convicção de que será rentável", disse à Reuters o comissário europeu para os transportes, Jacques Barrot, depois de acompanhar o lançamento do satélite no centro de controlo de Fucino, na zona montanhosa central da Itália.
A viabilidade do Galileo, cujo primeiro satélite experimental foi lançado em Dezembro de 2005, é muito contestada dada a posição dominante do GPS e projectos similares da Rússia e da China. Os críticos do programa consideram-no também demasiado caro, apesar de a Comissão Europeia argumentar que irá criar milhares de postos de trabalho e garantir a independência da Europa do sistema norte-americano.
Ambas as críticas foram desvalorizadas pelo comissário europeu. Barrot alega que o mercado para os aparelhos personalizados de navegação está em amplo crescimento - aumentou cinco vezes de 2005 para 2007 e deverá valer 135 mil milhões de euros em 2025 - e também que o novo sistema europeu atrairá uma variedade de sectores, desde os transportes à construção. De resto, argumentou ainda Barrot, tanto a Rússia como a China estão interessadas em cooperar no desenvolvimento conjunto de tecnologia.


