A Rússia poderá ficar atrás dos Estados Unidos e de outras nações na investigação espacial se não conseguir construir, rapidamente, uma nova geração de vaivéns para substituir os Soiuz, concebidos na década de 60, disse hoje o construtor espacial estatal RKK Energiya.
Nikolai Sevastyanov, responsável pela RKK Energyia, disse que prosseguem os trabalhos para conceber um novo vaivém reutilizável designado Kliper e para construir uma frota de cinco aparelhos. O seu desenvolvimento está orçado em 1,5 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros).
"Se não avançarmos no programa Kliper, em apenas cinco anos poderemos ficar para trás, de forma irreversível", alertou Sevastyanov em conferência de imprensa.
"Não podemos perder a oportunidade de garantir as nossas posições na competição com os americanos e outros", acrescentou.
A agência espacial norte-americana (NASA) também está a criar uma nova frota de vaivéns. O sistema Orion será concebido pela Lockheed Martin Corp. e o primeiro voo deverá acontecer em 2014.
O Governo russo não se comprometeu com os pedidos de financiamento feitos pela RKK Energyia e Sevastyanov disse acreditar que a Agência Espacial Europeia poderá dividir os custos.
Segundo o responsável, a empresa – que constrói os Soiuz (tripulados) e os Progress (não tripulados) – tem vindo a financiar os trabalhos iniciais com os seus próprios fundos.
Desde a década de 70, os engenheiros russos têm estudado possíveis configurações para um novo vaivém para substituir o Soiuz, que se tornou demasiadamente pequeno. No entanto, antes do fim da URSS, problemas técnicos e financeiros impossibilitaram os projectos. Na transição para a era pós-soviética, foram renovados os esforços.
O primeiro Soiuz foi concebido especialmente para missões em órbita da Terra e para testar expedições à Lua. O primeiro Souiz tripulado foi lançado em Abril de 1967. O vaivém onde seguia Vladimir Komarov despenhou-se na aterragem devido a uma falha no sistema de paraquedas.


