Estudo envolve cientistas portugueses

Retrato genético rápido é arma contra bactéria resistente a antibióticos

21.01.2010 - 19:58 Por Clara Barata

  • Votar 
  •  | 
  •  4 votos 
As “Staphylococcus aureus” são bactérias resistentes a múltiplos antibióticos, contraídas em meio hospitalar As “Staphylococcus aureus” são bactérias resistentes a múltiplos antibióticos, contraídas em meio hospitalar (DR)
Faz lembrar a medicina quase mágica do “Star Trek”, mas é bem real: uma equipa internacional, com cientistas portugueses, desenvolveu um método para fazer o retrato genético completo das bactérias “Staphylococcus aureus” resistentes à meticilina (as temidas bactérias resistentes a múltiplos antibióticos, contraídas em meio hospitalar, conhecidas pela sigla em inglês MRSA). Consegue-se identificar não só a história da epidemia, os saltos que as bactérias deram entre continentes, como a viagem que fazem de pessoa para pessoa, de enfermaria para enfermaria.

O trabalho é relatado amanhã, na revista “Science”, e tem na verdade duas partes. Uma tem por base a biblioteca de amostras de MRSA do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), em Oeiras, explicam Hermínia de Lencastre e Susana Gardete, co-autoras do estudo, a partir de Nova Iorque, da Universidade Rockefeller, a sua outra filiação.

“Estes isolados clínicos foram recolhidos em diferentes países, como Portugal, Brasil, China, Argentina, Republica Checa, Turquia, EUA e Dinamarca, durante 20 anos (1982-2003). Caracterizámos molecularmente a estirpes, determinámos a sua resistência a diferentes classes de antibióticos, reunimos toda a informação clínica e demográfica dos doentes e preparámos o ADN a sequenciar pelo Instituto Sanger”, no Reino Unido, explicam as cientistas por e-mail.

Este material permitiu estabelecer uma árvore evolutiva da bactéria – de uma das suas estirpes, denominada ST239 ou clone Brasileiro, hoje responsável por 90 por cento das infecções na China e provavelmente na Ásia continental, escrevem os investigadores. Em Portugal, foi dominante de meados dos anos 90 até 2000, mas hoje já não é. “Uma das conclusões importantes é que o clone terá tido origem na Europa, migrando para a América do Sul e Ásia, evoluindo depois independentemente na Europa, América do Sul e Ásia”, dizem as cientistas.

A segunda parte do estudo, a tal que parece saída do “Star Trek”, baseia-se nos avanços da tecnologia, que permite sequenciar rapidamente todo o genoma da bactéria, e não apenas alguns pedaços, como até agora, por um preço razoável (cerca de 320 dólares). Com o que aprenderam sobre a taxa evolutiva da MRSA, graças à base de dados portuguesa, será possível refazer o trilho de uma infecção, tirando lições para evitar futuros surtos.

Estatísticas

  • 10 leitores
  • 1 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1419103

Comentário + votado

E a tecnologia Star Trek é...

Eu sei que grande parte dos portugas não consegue entender mais nada para além de futebol ...

Marco

21.01.2010 20:32