O Reino Unido prepara-se para pedir soberania numa grande parte do oceano da Antártida. Esta é apenas uma das exigências que o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a preparar, segundo informou um porta-voz desta tutela.
Mesmo que os direitos sejam concedidos, a Grã-Bretanha não poderá violar o tratado vigente que proíbe a exploração de petróleo e de gás no fundo do mar daquela zona. De qualquer forma, o porta-voz do ministério considerou esta reclamação como “uma salvaguarda para o futuro”.
O pedido, que ainda está a ser elaborado, a pensar no prazo de Maio de 2009 imposto pelas Nações Unidas, poderá alargar o território britânico nas águas da Antártida em vários milhares de quilómetros quadrados, o que é permitido pela Lei da Convenção dos Oceanos. O valor exacto não se sabe ao certo. Segundo a BBC é de 2.590 quilómetros quadrados, enquanto que o "The Guardian" avança 1 milhão de quilómetros quadrados.
“Este assunto foi tido em consideração durante vários anos”, diz o porta-voz e garante que não afectará os movimentos de protecção ambiental mais recentes, plasmados no Tratado da Antártida de 1991.
Esta movimentação britânica segue a tendência de diferentes países preocupados em assegurar o seu potencial no petróleo, no gás e noutros recursos minerais, caso as circunstâncias mudem. O exemplo mais recente é o da Rússia. “É essencial prevenirmo-nos para um futuro em que o tratado pode ser abolido”, acrescentou o porta-voz.
O Greenpeace considerou o movimento britânico “colossalmente irresponsável” e acusou o país de estar mais preocupado com o futuro mercado do petróleo do que com a problemática das alterações climáticas. “Quando o Reino Unido devia liderar o esforço mundial para reduzir as emissões de dióxido de carbono verificamos que está na realidade a liderar uma nova era do petróleo”, disse Charlie Kronick do Greenpeace.
Actualmente, cerca de 5/6 do território da Antártida está a ser reclamado por sete países e a parte que o Reino Unido pede é a mesma exigida pela Argentina e pelo Chile.
O Reino Unido já remeteu para as Nações Unidas um pedido conjunto com a França, Espanha e Irlanda sobre o Golfo da Biscaia. Está também em discussão com a Islândia, Irlanda e Dinamarca a área de Hattam-Rockall, na costa oeste da Escócia. Pretendem, igualmente, alargar o seu território nas ilhas Falkland, Geórgia do Sul e Ilha de Ascensão.


