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Recomendação do conselho de bioética

Reino Unido: bebés com menos de 22 semanas não devem receber assistência médica

15.11.2006 - 16:15 Por PUBLICO.PT

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O conselho indica que apenas um por cento dos bebés nascidos antes das 23 semanas sobrevive O conselho indica que apenas um por cento dos bebés nascidos antes das 23 semanas sobrevive (Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo))
Os bebés nascidos antes das 22 semanas de gestação não devem ser ressuscitados ou submetidos a assistência médica, segundo uma recomendação do Conselho de Bioética Nuffield, organismo britânico que durante dois anos estudou estes casos.

"Os instintos naturais dizem-nos para tentar salvar todos os bebés, mesmo que as hipóteses de sobrevivência sejam reduzidas. Porém, pensamos que nem sempre é correcto submeter o bebé ao stress e à dor de um tratamento invasivo, se for improvável que esse bebé vá melhorar", explicou ao site da BBC Margaret Brazier, que presidiu à comissão de ética.

Apesar de desaconselhar a tentativa de reanimação ou prolongamento de vida de bebés nascidos antes das 22 semanas, o conselho de bioética recomenda que os médicos avaliem a situação com os pais no caso dos bebés nascidos na 23ª semana. O organismo realça, no entanto, que mesmo nestes casos os bebés acabam por não viver durante muito tempo ou desenvolvem graves problemas de saúde.

O conselho Nuffield, composto por professores de filosofia, ética e medicina, indica que apenas um por cento dos bebés nascidos antes das 23 semanas sobrevive.

Tony Calland, presidente do comité de ética da associação britânica de médicos (BMA), manifestou fortes dúvidas quanto ao limite temporal definido pelo Nuffield. "Cada caso deve ser estudado segundo as suas próprias características e no seu contexto. Discordamos da definição de datas limites para os tratamentos", argumentou o responsável.

A Igreja Anglicana e a Igreja Católica de Inglaterra e do País de Gales, num comunicado conjunto assinado pelo bispo de Southwark, Tom Butler, e pelo arcebispo de Cardiff, Peter Smith, acolheram favoravelmente a recomendação de Nuffield.

O Conselho de Bioética Nuffield foi criado em 1991 para avaliar questões éticas levantadas pelos avanços na investigação biológica e médica.

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