Uma equipa francesa bateu um recorde ao apanhar um peixe que vive a 2300 metros de profundidade. A captura deu-se no meio do Atlântico, o peixe vive nas fontes hidrotermais da crista média-atlântica. A estas profundidades os animais estão submetidos a fortes pressões o que dificulta a captura sem os matar.
“A captura pressurizada é utilizada há 30 anos, mas esta foi feita a uma maior profundidade, o anterior recorde foi de 1400 metros”, explicou à BBC News Bruce Shillito, biólogo marinho da Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, França.
Os cientistas desenvolveram um novo aparelho que permite apanhar animais vivos que estão sob pressão, mas que estão a uma profundidade maior. Agora, falta conseguir passar estes animais para um laboratório onde se possa estudar a biologia deles.
Para além do peixe, os cientistas apanharam três espécies de camarão. O Mirocaris fortunata e Chorocaris chacei foram capturados a 1700 metros e a espécie Rimicaris exoculata foi apanhada a 2300 metros . O artigo sobre a descoberta foi publicado na revista científica “Deep-Sea Research”.
O peixe capturado é da espécie Pachycara saldanhai. Apesar de não ter uma bexiga-natatória, quando aofreu a descompressão à superfície o peixe ficou completamente estático. Os camarões sofreram um fenómeno semelhante.
“A profundidades superiores a 1000 metros, é difícil capturar os animais vivos. Capturar sem pressão é o mesmo que capturá-los mortos”, explica Shillito. O ecossistema que existe no leito do mar a estas profundidades é muito pouco conhecido, apesar de cobrir 60 por cento da superfície terrestre. Por isso a equipa está ansiosa por investigar mais animais que vivam aqui.
“Estamos particularmente interessados no verme de Pompeia, Alvinella pompejana, um poliqueta que se pensa ser o organismo mais tolerante ao calor”, disse o cientista.
O novo aparelho de captura foi inventado por Bruce Shillito e pelo seu colega Gerard Hamel, um engenheiro mecânico que trabalha na mesma universidade. O aparelho tem três compartimentos, para capturar em profundidade, puxar para a superfície e transportar os organismos para o laboratório que fica no barco.
O sistema utiliza a água para compensar a pressão ao longo da subida, um método mais seguro do que a utilização de gás. Apesar de não manter a temperatura à volta dos 2 a 4 graus célsius, que é a que ocorre nos oceanos a grandes profundidades, o biólogo defende que todos os organismos sofrem as mesmas alterações físicas e por isso podem ser comparados quando se estudam.


