O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje, no Porto, que a aposta do Governo na ciência e na investigação vai continuar, assegurando estabilidade nas políticas para o sector nos próximos anos. As declarações do primeiro-ministro foram feitas durante a assinatura de um protocolo entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia e a Sociedade Fraunhofer, a maior instituição europeia de investigação, envolvendo mais de 12.500 pessoas em 56 institutos, com um orçamento anual global de cerca de 1,2 mil milhões de euros, no seio da qual nasceu, por exemplo, o MP3, que agora vai ter um instituto em Portugal, o primeiro fora da Alemanha.
"Esta aposta vai continuar e haverá estabilidade nas políticas para o sector nos próximos anos", frisou Sócrates, que pretendeu com esta declaração "deixar uma palavra de confiança" a todos os que estão envolvidos no esforço para desenvolver a ciência em Portugal, disse o primeiro-ministro. "Numa altura em que o governo está a tentar pôr em ordem as contas públicas, decidimos um aumento como não há memória no sector científico, que cresceu 64 por cento no OGE/2007", salientou.
No mesmo sentido, revelou que no próximo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) vão ser investidos na Educação e na Ciência cerca de 37 por cento dos recursos comunitários disponíveis, quando a média dos últimos anos foi apenas de 26 por cento.
"Estas são decisões que vão marcar o sector e todos os que se dedicam à ciência, que podem ter confiança que este movimento iniciado em 2005 não vai parar", reafirmou Sócrates.
Na sua intervenção nesta cerimónia, que decorreu no antigo edifício da Alfândega do Porto, José Sócrates abordou também a importância da internacionalização do sector científico português, defendendo que, "se existe uma área que é global, é a do conhecimento".
Segundo José Sócrates, o acordo de cooperação hoje assinado com os alemães da Sociedade Fraunhofer, a maior rede de laboratórios de investigação europeia, "faz parte" da estratégia de abertura do sector científico português, assim como os acordos que têm vindo a ser assinados com outras instituições internacionais, como a Universidade de Harvard ou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
"Isto tem um enorme significado para o prestígio científico do país", frisou, acrescentando que a decisão da Sociedade Fraunhofer de instalar em Portugal o seu primeiro instituto fora da Alemanha "revela a confiança no país e uma aposta no potencial científico português".
José Sócrates frisou, no entanto, que a aposta do governo na política científica "não se faz para agradar aos cientistas ou pelos lindos olhos de alguém, mas para promover o desenvolvimento do país".
"Não há receita de sucesso para o desenvolvimento que não passe pelo investimento na educação e na investigação", frisou, acrescentando que o governo tomou também a decisão de passar a apoiar o registo de patentes para acabar com a "situação desoladora" que existia até agora.
Os resultados da aposta do governo na política científica foram destacados pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, salientando que "há uma nova dinâmica do Portugal inovador".
"Contra todas as expectativas pessimistas, é impressionante a mudança tecnológica em Portugal", afirmou Mariano Gago.
O ministro sustentou que "há hoje milhares de jovens cientistas portugueses a trabalhar em boas instituições e redes de excelência".
O acordo hoje assinado entre o ministro português da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, e pelo secretário de Estado alemão para a Educação e Investigação, Frieder Meyer-Krahmer, identifica como principais áreas de cooperação as tecnologias de informação e comunicação, a biotecnologia, a nanotecnologia e a logística.
O objectivo final deste memorando de entendimento é o estabelecimento de uma cooperação sistemática entre os vários institutos da Sociedade Fraunhofer e as instituições de pesquisa e desenvolvimento portuguesas, que culminará com a criação de um Instituto Fraunhofer em Portugal em finais de 2007. Em 2009, este centro de pesquisa deverá contar com cerca de 30 investigadores seniores, recrutados internacionalmente pela sua competência. O orçamento anual do centro de pesquisa, entre 2007 e 2009, será de seis milhões de euros, assegurados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.


