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Novos institutos e programas estão a mudar a ciência

Portugal tem novas armas para travar "fuga de cérebros"

25.04.2010 - 07:59 Por Andrea Cunha Freitas

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A maioria dos bolseiros voltou A maioria dos bolseiros voltou (Paulo Ricca)
Novos institutos e programas estão a mudar a ciência. Os cientistas estão a aproveitar as oportunidades.

Quando alguém está a fazer um doutoramento "lá fora" há uma pergunta que acaba sempre por surgir: "E vai voltar para Portugal?" Independentemente da resposta, os investigadores portugueses têm hoje mais hipóteses de regressar e ficar. Há uma nova realidade favorável a quem quer trabalhar na ciência em Portugal. Há mais institutos, acordos, programas e parcerias. A próxima questão é se, depois de atrair os investigadores, vamos conseguir mantê-los por cá.

Este mês, o ministro da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, gabou-se de governar uma área exemplar do país. Primeiro, num debate com investigadores portugueses radicados nos Estados Unidos defendeu que o país tem evitado de forma "exemplar" a "fuga de cérebros", ao mesmo tempo que se tornou importador de cientistas. "Portugal é o caso mais exemplar no pós-guerra, talvez o único, de grande desenvolvimento científico sem brain drain [fuga de cérebros], ou com pouquíssimo", disse Mariano Gago. "O número de pessoas da ciência fora de Portugal é insignificante." Porém, o ministro não referiu nem os números "insignificantes" nem os "exemplares". Um dia depois, em Paris, num seminário da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), Gago insistia: Portugal "é visto como o exemplo a seguir".

Os desafios em aberto

O PÚBLICO pediu ao Ministério da Ciência números que permitissem concluir até que ponto temos evitado a "fuga de cérebros". Na resposta, entre outros dados, o ministério referia que, desde 1994 até 2008, a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) concedeu mais de 4500 bolsas de formação avançada no estrangeiro (incluindo bolsas de doutoramento e pós-doutoramento) e ainda mais de 4000 bolsas de doutoramento mistas, que implicam períodos de formação e de investigação em Portugal e no estrangeiro.

E quantos voltaram? "Os dados disponíveis de inquéritos a ex-bolseiros da FCT mostram que a esmagadora maioria desses ex-bolseiros desenvolve actividades em Portugal", refere apenas o ministério.

Assim, na ausência de números oficiais que mostrem de forma clara a relação entre os investigadores que saíram e os que voltaram, há sinais importantes. Vamos a exemplos. No Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, entre 1998 e 2010, dos 14 grupos de investigação (com líderes portugueses) que deixaram o ICG, 13 permaneceram em Portugal a fazer investigação. Na Fundação Champalimaud, os dados denúnciam a tendência do "querer ficar", com cada vez mais doutorados a permanecer em Portugal no final do projecto. "Estamos a ficar com falta de espaço", diz o norte-americano Zachary Mainen, coordenador do programa de neurociências da Champalimaud. No programa Fraunhofer Portugal, há 17 investigadores a trabalhar, todos portugueses. No Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia há lugar para as melhores 300 candidaturas e no primeiro parque português de biotecnologia, o Biocant (Cantanhede), há 150 investigadores e apenas cinco são estrangeiros.

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O que é um cérebro?

Escrevo este comentário na condição de Investigador mestrando... que paga as suas propinas para ...

abonodaverdade

25.04.2010 14:12