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Estudo publicado hoje

Planeta atingiu temperatura mais elevada dos últimos 12 mil anos

26.09.2006 - 11:20

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Os responsáveis pelo estudo culpam sobretudo as emissões de gases com efeito estufa Os responsáveis pelo estudo culpam sobretudo as emissões de gases com efeito estufa (Alexander Ruesche/EPA)
A temperatura do planeta Terra atingiu nos últimos 30 anos o seu nível mais alto em quase 12 mil anos, um fenómeno que já está a afectar a fauna e a flora, indica um estudo publicado hoje na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

A rápida subida da temperatura global nos últimos 30 anos, à razão de 0,2 graus Celsius por década, faz com que o planeta esteja actualmente a um grau do máximo registado em quase um milhão de anos, segundo um dos principais autores da investigação, James Hansen, do Instituto Goddard da NASA.

"Esta subida do termómetro significa que a Terra atingiu a temperatura mais quente do período interglaciar actual, iniciado há cerca de 12 mil anos", afirmou.

Nos primeiros 75 anos do século XX, o aumento da temperatura foi considerado lento, com ligeiras flutuações. Depois seguiu-se um acelerar do aquecimento, até aos 0,2 graus por década.

Poucos cientistas duvidam de que o planeta aqueceu, embora alguns divirjam sobre as causas da alteração. Hansen, que advertiu há décadas para o perigo das alterações climáticas, considera os gases com efeito de estufa produzidos pelo homem como o factor dominante.

"Os índices levam a pensar que nos aproximamos de níveis perigosos de poluição humana", com os gases com efeito de estufa como o CO2 (dióxido de carbono) a constituir, nas últimas décadas, a principal causa das alterações climáticas, advertiu o climatologista.

“Se o aquecimento se mantiver abaixo de um grau centígrado, os efeitos do sobre-aquecimento global podem ser relativamente geridos (...). Mas se chegar aos dois ou três graus centígrados, assistiremos a alterações que farão da Terra um planeta diferente daquele que hoje conhecemos”, disse James Hansen

"A última vez que o planeta esteve tão quente, no meio do Plioceno, há cerca de três milhões de anos, o nível dos oceanos estava 25 metros acima do actual", segundo as estimativas.

O aquecimento é mais pronunciado no hemisfério Norte, nas proximidades do Árctico, onde a fusão dos gelos e das neves põe a nu partes do solo mais escuras, que absorvem por isso mais calor do Sol, amplificando o fenómeno.

Pelo contrário, os oceanos estão a aquecer mais devagar graças às trocas térmicas com as águas frias das profundidades, embora os investigadores assinalem que houve um maior aquecimento nas águas dos oceanos Índico e Pacífico ocidental.

Estudo confirma efeitos do sobre-aquecimento na natureza

O sobre-aquecimento global já está a ter efeitos visíveis na natureza. Plantas e animais apenas podem sobreviver dentro de determinadas zonas climáticas. Por isso, com o aumento da temperatura, muitas espécies começam a migrar em direcção aos pólos.

Um estudo publicado em 2003 na revista “Nature” concluiu que 1700 espécies de plantas, animais e insectos migraram para os pólos a uma média de seis quilómetros por década, na última metade do século XX.

No entanto, este ritmo não é o suficiente para acompanhar o actual movimento de uma dada zona climática que terá atingido os 40 quilómetros por década, entre 1975 e 2005, no hemisfério Norte.

O estudo lembra que a tentativa de migração poderá resultar num fracasso porque os caminhos de dispersão estarão bloqueados por obstáculos construídos pelo ser humano ou por barreiras naturais como oceanos.

“O rápido movimento das zonas climáticas será uma nova pressão para a vida selvagem”, alerta Hansen. “Vem juntar-se à perda de habitat devido ao desenvolvimento humano. Se não abrandarmos o ritmo de aquecimento da temperatura, muitas espécies vão extinguir-se. Na verdade, estamos a empurrá-las para fora do planeta”.

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