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Estudo divulgado na revista "Science"

Pele pode ser uma resposta para a anemia falciforme

07.12.2007 - 19:01 Por Andrea Cunha Freitas

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Primeiro, uma equipa de investigadores da Universidade de Quioto conseguiu transformar as células da pele em algo muito semelhante a células estaminais embrionárias, com a óbvia vantagem de não ser necessário recorrer a embriões. A notícia correu mundo no final do mês passado. Desta vez, um grupo de cientistas norte-americanos reclama ter usado estas células pluripotentes em ratinhos para o tratamento da anemia falciforme.
Os resultados foram animadores com as células estaminais saudáveis que foram transferidas a produzir células sanguíneas normais Os resultados foram animadores com as células estaminais saudáveis que foram transferidas a produzir células sanguíneas normais (Michael Caronna/Reuters)

O artigo publicado hoje na revista "Science" conta os passos até ao promissor resultado final ainda que seja a própria equipa a apelar a um entusiasmo cauteloso. Segundo adiantam no relato da pesquisa, as células estaminais foram conseguidas após a recolha de células da pele das caudas de ratinhos doentes. Logo após a colheita foram inseridos quatro genes que reprogramam as células para que estas se transformem em células pluripotentes (ou iPS). Foi preciso depois substituir o gene “culpado” pela anemia falciforme por um a funcionar normalmente. Os resultados foram animadores com as células estaminais saudáveis que foram transferidas a produzir células sanguíneas normais (sem o problema da anemia falciforme que revela glóbulos vermelhos (hemácias) pouco eficientes e em formato de foice).

Mas os investigadores alertam que falta ainda percorrer um longo caminho até levar esta técnica até a eventuais terapias nos seres humanos. É que estas “limpezas” de células e interferências no ADN podem ter efeitos secundários no organismo, como cancro, até porque os retrovirus usados na reconversão das células terão a capacidade de provocar alterações noutras partes do corpo.

É necessário assegurar um processo que não interfira com outros genes não implicados em determinada doença, segundo sublinham os especialistas envolvidos no projecto liderado por Jacob Hanna, do Whitehead Institute for Biomedical Research, em Cambridge, Massachusetts, EUA. “Quando os retrovirus entram no genoma há o perigo de silenciarem alguns genes que são importantes ou activarem genes perigosos que não devem ser activados”, explicou o autor principal do artigo à Reuters.

Apesar das reservas, o estudo representa mais um passo na direcção de uma possível resposta técnica que contorna os problemas éticos colocados pelo uso das células estaminais conseguidas com recurso a embriões.

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