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Sistema reprodutivo dos animais pré-históricos semelhante ao das aves modernas

Ossos podem revelar o sexo dos dinossauros

03.06.2005 - 08:21 Por Clara Barata, PÚBLICO

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Os investigadores planeiam abrir mais alguns ossos de dinossauro no Museu das Montanhas Rochosas Os investigadores planeiam abrir mais alguns ossos de dinossauro no Museu das Montanhas Rochosas (DR)
Como distinguir o sexo dos dinossauros? Pode ser tão complicado como o dos anjos, pois os indicadores mais óbvios do género dos bichos desaparecem após a morte. Normalmente, o que se encontra são os ossos fossilizados, e não os tecidos moles, que poderiam ajudar a destrinçar fêmeas e machos. Mas a chave para decifrar esta charada pode estar precisamente nos ossos, e representar uma grande prova da relação dos dinossauros com as aves, dizem cientistas norte-americanos na edição de hoje da revista Science.

Os investigadores descobriram no fémur de um tiranossauro que viveu há 68 milhões de anos algo muito semelhante a uma camada especializada de osso, chamada osso medular, que se encontra nos membros das fêmeas de aves quando estas estão a produzir ovos. Esta camada é rica em cálcio e contém muitos vasos sanguíneos, para permitir fornecer grandes quantidades deste mineral aos ovos em formação, sem que a fêmea perca cálcio noutras partes do corpo.

A equipa de John Horner, do Museu das Montanhas Rochosas e da Universidade Estadual de Montana, descobriu que o osso do fóssil era mais parecido com o das ratites (um grupo de grandes aves, onde se incluem as avestruzes) do que com o das restantes aves actuais.

"Para além de mostrar o sexo dos animais, esta camada de osso permite relacionar a fisiologia reprodutiva dos dinossauros com a das aves", disse à agência Reuters a primeira autora do artigo, Mary Schweizer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte. "Indica que os dinossauros produziam ovos de forma semelhante à das modernas aves e crocodilos, e que a sua casca era parecida."

Em Abril, a equipa de Tamaki Sato, do Museu Canadiano da Natureza, em Otava, relatou a descoberta de um dinossauro na China que deveria ser uma fêmea, pois tinha ainda dois ovos dentro do corpo. Analisando a sua fisiologia, os cientistas concluíam que devia parecer-se mais com as aves modernas do que com os actuais crocodilos.

Os crocodilos produzem vários ovos com as cascas no seu sistema reprodutivo e põem-nos todos ao mesmo tempo. "As aves produzem um ovo com casca de cada vez, e põem também um de cada vez. É um processo que consome grandes quantidades de cálcio", explicou Mary Schweitzer.

O exemplar de tiranossauro estudado já tinha sido notícia em Março, quando foi revelado ao mundo por esta equipa como o primeiro exemplar deste grande carnívoro descoberto com tecidos moles preservados. "Foi encontrado numa zona muito remota do estado de Montana, na formação de Hell Creek", disse ainda Jack Horner. "Estava tão fora de mão que tivemos de o levar dali de helicóptero. E tivemos de partir o fémur em dois para conseguirmos metê-lo no helicóptero." Quando os investigadores analisaram o grande osso da coxa partido em dois, Mary Schweitzer diz que notou imediatamente os tecidos moles.

Agora, os investigadores planeiam abrir mais alguns ossos de dinossauro no Museu das Montanhas Rochosas, para ver se conseguem detectar outras fêmeas. "Temos 12 exemplares de tiranossauro, e vamos tentar olhar para o seu interior", disse Horner.

Mas, atenção, não é de esperar que esta descoberta possa permitir passar a conhecer o sexo de todos os dinossauros. Foi um golpe de sorte que esta fêmea, que teria cerca de 18 anos quando morreu, estivesse a produzir ovos. "Se estivesse a cuidar de crias já nascidas, não teria esta camada óssea", sublinhou Schweitzer. Encontrar outro fóssil de dinossauro que reúna as mesmas características seria mesmo muita sorte.

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