OE 2006: oposição critica orçamento do Ministério da Ciência e Ensino Superior

27.10.2005 - 19:43 Por Lusa
A oposição criticou hoje no Parlamento o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, considerando que falta investimento no ensino superior, e manifestou dúvidas sobre a eventual criação de um sistema de empréstimos aos estudantes.
O ministro Mariano Gago apresentou o orçamento do seu ministério aos deputados como um orçamento de crescimento, que consagra maior prioridade à ciência e tecnologia.
Mais de um quarto do orçamento para a ciência e tecnologia vai ser investido em formação avançada de recursos humanos para gerar mais e melhores cientistas, segundo o ministro.
A despesa do ministério aumenta 6,3 por cento, de acordo com a proposta de orçamento, para 2,3 mil milhões de euros. Deste total, 76 por cento são para o Ensino Superior, com a maior fatia (63,3 por cento) destinada ao seu funcionamento e o restante (8,8 por cento) para Acção Social Escolar e obras (quatro por cento).
A área da Ciência e Tecnologia absorve 16,9 por cento e a Sociedade de Informação 6,4 por cento.
Em resposta às críticas dos deputados, o ministro afirmou que o Ensino Superior vai beneficiar do aumento do investimento em ciência e tecnologia, porque é nas universidades que estão os investigadores com mais capacidade competitiva.
O ministro ouviu críticas da oposição sobre o aumento das propinas e a falta de investimento em cantinas e residências, factores apontados como causa do insucesso e abandono escolar.
O Ministério prevê criar um programa para combater o insucesso e abandono escolar, que foi considerado vago pelos partidos da oposição.
Outro ponto crítico do debate foi a intenção do Governo de criar um sistema de garantias de empréstimo bancário aos estudantes, para o que tenciona submeter um pedido de autorização legislativa à Assembleia da República. A oposição considerou que esta medida pode ser uma desresponsabilização do Estado, que deveria apostar mais na Acção Social Escolar.
Para o ministro, seria uma alternativa de autonomia dos estudantes, uma vez que o único sistema de empréstimo aos estudantes que existem em Portugal é o da banca comercial com taxas de juro de dez e 12 por cento.
A ideia, defendeu Mariano Gago, não seria usar este mecanismo em substituição da Acção Social Escolar, mas negociar com a banca juros o mais baixos possível e estudar a dilatação do prazo de pagamento para não comprometer o início da vida activa dos estudantes no mercado de trabalho.
O ministro manifestou "perplexidade pela convergência entre as bancadas do PSD, PCP e Bloco de Esquerda" sobre as dúvidas apresentadas nesta matéria e desafiou os partidos a apresentarem propostas que possam melhorar a proposta de orçamento do Governo.
A oposição considerou ainda que faltam medidas e projectos para desenvolver na prática o chamado choque tecnológico, anunciado pelo Governo como motor de desenvolvimento do país.

