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O futuro já está a começar... ou continuará a ser adiado?

01.02.2010 - 09:32 Por Clara Barata

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Há 40 anos que sonhamos com bases lunares, mas não é ainda garantido que seja mesmo desta vez que elas se concretizam. E regressar à Lua nos tempos mais próximos não é consensual. Há quem prefira ir a Marte primeiro.

Branca e árida, sem os azuis do mar e os farrapos das nuvens que cobrem o planeta a que chamamos casa. Redonda, cada vez maior, cheia de marcas e cicatrizes de impactos de meteoritos é como os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion vimos a Lua a aproximar-se, cada vez mais perto, ao longo dos quatro dias de viagem desde que saímos de Cabo Canaveral. Agora chegou a altura de passar para o módulo de alunagem Altair, que nos fará pousar no pólo sul desta bola poeirenta que fez sonhar as gerações de humanos que ergueram os olhos para o céu e viram aquela bola brilhante e misteriosa.

“Uma magnífica desolação”, chamou-lhe Buzz Aldrin, o segundo homem que deixou as pegadas do seu pesado fato de astronauta impressas no solo arenoso da Lua. As palavras dele vêm-me à lembrança quando olho pela escotilha do Altair; bem mais que o “pequeno passo para um homem, um grande passo para a Humanidade” de Neil Armstrong, o primeiro a saltar na Lua, onde cada passo nos pode transformar em cangurus, porque só tem um sexto da gravidade na Terra.

Com Buzz na cabeça, olho para algo com que ele sonhou, mas que só quase 60 anos depois começa a tornar-se realidade: parecem latas de salsichas dispostas em formação por um campista desleixado, agora cobertas do rególito lunar, a terra e a areia mais fina que a fina areia da Terra que as cobrem. Não parece muito, mas é a primeira base humana permanente na Lua.

Foi construída pelos robôs que para lá foram enviados em missões anteriores — levavam materiais insufláveis, como tendas super high-tech para um acampamento mesmo do outro mundo, para construírem os compartimentos que vão ser a nossa casa durante a próxima semana. Por cima, colocaram uma camada de rególito que tem pelo menos 2,5 metros de espessura — para nos proteger dos raios cósmicos, que bombardeiam sem misericórdia a Lua, que não tem atmosfera para a proteger. A actividade dos robôs foi seguida 24/24 horas a partir das sondas em órbita da Lua (e transmitida em directo na Internet, o site da NASA até ficou várias vezes indisponível, nos primeiros dias, tal era a curiosidade).

Nós os quatro vamos lá ficar sete dias, mas podíamos lá ficar até 210 dias — é a capacidade máxima de alimentos e carga que a Orion e o Altair poderiam levar, a partir da Terra.

Vamos abrir a porta, é agora.

De volta ao presente

Flashback para o presente: isto poderia ser o diário de um dos quatro astronautas que formarão a primeira tripulação da tão sonhada base lunar — há planos para elas desde que o Presidente John F. Kennedy lançou o desafio de os Estados Unidos se tornarem no primeiro país a pôr astronautas no satélite natural da Terra.

Em 2004, outro Presidente dos EUA, George W. Bush, propôs que se regressasse à Lua em 2020, depois de um abandono de 48 anos (a última missão Apolo foi em 1972). Contando com os atrasos naturais — e os problemas de que parece estar a sofrer o desenvolvimento dos novos foguetões com que os EUA querem mandar humanos para o espaço (Ares I e Ares V), contemos com um regresso já mais para perto de 2030. Isto se os planos do programa Constelação vingarem, e não sofrerem alterações significativas depois da apreciação a que estão a ser submetidos por uma comissão independente, liderada pelo especialista no sector aeroespacial Norman Augustine.

Espera-se ansiosamente o relatório Augustine para o fim de Agosto — o foguetão Ares I, que seria o veículo que levaria as tripulações para a órbita da Terra, depois de aposentado o vaivém ( já em 2010), está a ter problemas que alguns engenheiros da NASA consideram demasiado sérios. Tanto assim é que se formaram grupos dissidentes, que defendem a adaptação de outros foguetões já existentes (como os do tipo Júpiter) para transportar voos tripulados, e para terem a potência suficiente para chegar à Lua, em vez de desenvolver novos lançadores.

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