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Comparação de modelos climáticos com aquecimento do planeta há 129 mil anos

Nível de água dos mares pode subir seis metros até 2100

24.03.2006 - 11:16 Por Clara Barata, PÚBLICO

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Os gelos da Gronelândia estão a derreter-se cada vez mais depressa, sem que os cientistas compreendam bem o que está a acontecer Os gelos da Gronelândia estão a derreter-se cada vez mais depressa, sem que os cientistas compreendam bem o que está a acontecer (DR)
Se a escalada das temperatura globais continuar ao ritmo actual, em 2100 o nível da água do mar pode subir seis metros. A causa é a aceleração do derretimento dos gelos da Gronelândia e da Antárctida, potenciado pelo grande degelo que está já a ocorrer no Árctico.

Da última vez que estes níveis foram atingidos, os primeiros homens modernos estavam a espalhar-se por África, aproveitando um período de excepcional aquecimento do planeta. Nem imaginavam sequer as enormes cidades costeiras que hoje existem, e que terão de ser abandonadas caso se confirme a tendência de degelo que está a espantar os cientistas.

Hoje, a revista "Science" publica uma série de estudos sobre o derretimento dos gelos causada pelo aquecimento do planeta, concentrando atenções no que se passa na Gronelândia - uma das grandes massas de gelo da Terra, cujos glaciares duplicaram de velocidade nos últimos anos, precipitando-se para o mar. Alguns, como o Kangerdlugssuaq, na zona centro-leste, mais do que duplicou de velocidade entre 2000 e 2005. Neste momento, está a avançar para o mar 13 quilómetros por ano.

O aumento da precipitação, causado pela subida da temperatura, poderia compensar essa perda de gelo, como aconteceu na última década do século XX.

Na Gronelândia Oriental, a queda de neve parece ainda estar a ter um efeito de compensação, mas as perdas a ocidente são grandes demais. As estimativas variam, desde uma perda dramática de 224 quilómetros cúbicos de gelo por ano, até uns menos assustadores 40, 82 ou até mesmo 148 quilómetros cúbicos por ano.

O nó central do dossier da Science sobre os gelos são dois estudos que procuram calibrar um modelo preditor de evolução do clima neste século desenvolvido no Centro Nacional de Investigação Atmosférica dos EUA com dados paleoclimáticos de há cerca de 129 mil anos, quando a Terra viveu um período de grande aquecimento.

Quando a Terra oscilou

Nessa altura, a temperatura do planeta subiu porque a inclinação da Terra em relação ao Sol era diferente da actual. Este fenómeno repete-se em ciclos de milhares de anos e provocou um aquecimento especialmente forte no hemisfério norte, que parece bastante parecido com o actual - provocado pelo aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, causada pela actividade humana.

Recolhendo dados como grãos de pólen fossilizados, esporos de fetos, plâncton marinho e a análise da composição química de gelos, a equipa de Bette Otto-Bliesner, do Centro de Investigação Atmosférica dos EUA, comparou as previsões do modelo climático com que o que se passou nesse período há cerca de 129 mil anos. E concluiu que há muitas semelhanças preocupantes.

O modelo prevê que as temperaturas no Árctico aumentem três a cinco graus Celsius, durante o Verão, até 2100. Estes valores são muito semelhantes aos de há 129 mil anos, quando o aquecimento se concentrou também no hemisfério norte.

"Estes resultados são bastante impressionantes. Da última vez que o Árctico esteve mais quente que hoje, derreteu-se uma quantidade de gelo da Gronelândia suficiente para fazer o nível do mar subir dois a três metros", comentou Jonathan Overpeck, da Universidade do Arizona, outro dos autores do estudo, citado num comunicado de imprensa. Mas o estudo de alguns corais permite dizer que é provável que os mares tenham subido até seis metros, com uma ajuda também do degelo na Antárctida.

A Gronelândia e a Antárctida são os dois maiores reservatórios de gelo, cujo derretimento pode ter um impacte mais forte nos oceanos. O oceano Polar Árctico pode estar a desvanecer-se cada vez mais, durante o Verão, mas este é gelo que já está a flutuar na água, por isso não afecta assim tanto o nível da água dos mares. Mas na Gronelândia e na Antárctida o gelo está sobre terra firme, e se chegar ao mar em grandes quantidades terá efeitos muito mais drásticos.

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Um pequeno segredo para os jornalistas

A Antarctida está a crescer a olhos vistos ano após ano. se tem gelo a mais, é ...

Anónimo

30.11.2009 11:13

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