Nanotecnologia: Instituto Ibérico aguarda legislação específica para contratar cientistas seniores

04.02.2010 - 10:01 Por Lusa
O Instituto Ibérico de Nanotecnologias aguarda que os governos de Portugal e Espanha concluam legislação específica de contratação de pessoal para poder contratar os chamados cientistas seniores que vão dirigir as equipas de investigação.
O vice-presidente do organismo, Paulo Freitas adiantou ontem, em declarações à agência Lusa, que foram já feitas entrevistas a 20 cientistas a nível internacional, os quais não podem ser contratados por falta de regulamentação.
“O regulamento está quase concluído, é uma questão de semanas, poucas”, disse o responsável, frisando que “toda a gente já percebeu que isto é crítico” para o avanço do instituto, que tem sede em Braga.
O investigador falava no final da assinatura do contrato de financiamento - no valor de 24 milhões de euros - para a aquisição de equipamento científico e tecnológico do INL, acto que foi presidido pelo ministro da Ciência, José Mariano Gago.
Questionado sobre o avanço das negociações entre os governos ibéricos acerca do regulamento de contratação - que se arrastam há um ano - Paulo Freitas disse que “o cariz internacional do organismo exige um enquadramento legal específico, dado que não se lhe aplica a legislação espanhola ou portuguesa”.
“Estamos, apenas, a contratar jovens investigadores no âmbito das competências da Comissão Instaladora”, referiu, acentuando que os restantes, “todos muito bons”, aguardam pelo regulamento.
“Nenhum cientista, de 40 ou 50 anos, vem da Alemanha para aqui com a família sem um regulamento que lhe dê garantias de um contrato por vários anos”, frisou.
Sobre o arranque da investigação no INL, Paulo Freitas adiantou que o equipamento para a chamada “sala limpa” deve chegar até ao final do Verão, enquanto que um segundo concurso, para a aquisição de aparelhos de microscopia electrónica e equipamento pesado só deve ficar terminado no final de 2010.
O INL foi criado por iniciativa conjunta de Espanha e Portugal, assumida em 2005, em Évora, durante a XXI Cimeira Luso-Espanhola.
Com sede em Braga, o laboratório vai desenvolver uma política científica e recrutar os seus investigadores com nível e âmbito mundial, estando aberto à participação de outros países da Europa e de outros continentes.
Está previsto que venha a ter 200 investigadores e envolva 400 pessoas, contando com técnicos e doutorandos.

