O químico suíço Albert Hofmann, que descobriu a droga alucinogénea LSD, morreu hoje, com 102 anos, perto de Basileia, vítima de ataque cardíaco. “Inquieto e enjoado”, foi assim que Hofmann descreveu o seu estado depois de, durante uma investigação sobre os usos médicos dos fungos, consumir por acaso, em 1943, este estupefaciente que tinha sintetizado em 1938.
Nascido a 11 de Janeiro de 1906, Hofmann teve o primeiro contacto com o LSD em laboratório, quando uma pinga da droga lhe caiu na mão. “Fiquei num estado de sonolência, a luz incomodava-me e vi uma corrente contínua de imagens fantásticas, formas extraordinárias e com cores intensas, próprias de um caleidoscópio. A sensação desapareceu passadas duas horas”, descreveu o químico, em 2006, numa conferência comemorativa dos seus cem anos, citado pelo diário espanhol “El Mundo”.
O químico defendeu sempre a utilidade desta droga, em especial para perceber e estudar o funcionamento da mente humana, chegando mesmo a acreditar que a LSD podia ser o tratamento adequado para a esquizofrenia. Apesar de a apelidar como um “filho problemático”, nem depois de ter sido ilegalizada nos anos 60 a deixou de defender, pois acredita que foi tratada de forma injusta por culpa dos que dela fizeram um uso perigoso.
Albert Hofmann morreu sem saber se o LSD chegará a ser aplicada apenas com fins terapêuticos, como defendem agora alguns investigadores suíços.
LSD é o acrónimo de Lysergsäurediethylamid, palavra alemã para a dietilamida do ácido lisérgico, uma das mais potentes substâncias alucinógenias conhecidas e está associada ao movimento psicadélico.
O LSD é sintetizada clandestinamente a partir de um fungo do centeio.


