Presidência da UE

Ministros da Ciência dos 27 debatem hoje medidas contra "fuga de cérebros"

20.07.2007 - 09:52 Por Lusa

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A UE terá de alcançar os 3 por cento do PIB em investimento em I&D até 2010 A UE terá de alcançar os 3 por cento do PIB em investimento em I&D até 2010 (DR)
A capacidade de manter e atrair investigadores altamente qualificados para evitar a actual "fuga de cérebros" da Europa é hoje o tema dominante da reunião de ministros da Ciência dos 27, que se iniciou quinta-feira, em Lisboa.

Naquela que é a segunda reunião ministerial sectorial do âmbito da presidência portuguesa da UE, os titulares europeus da Ciência estão a discutir o papel da investigação científica e tecnológica no reforço da competitividade da economia europeia e na criação de empregos.

Presidido pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, o encontro informal dos 27 vai debater, nomeadamente, o reforço do investimento público e privado em Investigação e Desenvolvimento (I/D), tendo em vista um novo ciclo da chamada Estratégia de Lisboa para a modernização da economia da UE e para o aumento da sua competitividade e eficácia interna e externamente.

Os temas centrais da sessão de trabalho de hoje são os recursos humanos em Ciência e Tecnologia na Europa e as medidas para evitar a "fuga de cérebros" e estimular o "ganho de cérebros". Caberá a Paul Caro, da Academia das Ciências de França, e a Frédéric Sgard, da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), introduzir o debate sobre recursos humanos em ciência e tecnologia na Europa.

O assunto foi já abordado nas sessões de quinta-feira da reunião ministerial, tendo dois dirigentes portugueses de duas multinacionais dos sectores tecnológico e electrónico - YDreams e Chipidea - advertido para os sérios problemas de competitividade da Europa na área da ciência e tecnologia, nomeadamente, devido à falta de recursos humanos qualificados e à inexistência de um verdadeiro mercado único na União.

Entre as medidas a debater contam-se o encorajamento de jovens a estudar ciência e tecnologia, a criação de condições atractivas no mercado laboral, a eliminação dos obstáculos regulamentares à mobilidade na UE, a promoção da flexibilidade na prossecução de carreiras.

Em causa estarão também as barreiras que se colocam ao crescimento do investimento privado em I&D e as medidas políticas principais e programas desenvolvidos pelos Estados membros para encorajar esse investimento privado e reforçar o investimento público.

Em Portugal, a evolução na área da ciência e tecnologia caracterizou-se nos últimos anos por um crescimento significativo dos recursos humanos atribuídos à investigação.

Segundo dados oficiais, o número de pessoas activas em I&D, em 2005, era de 25.651 em tempo pleno, sendo 82 por cento investigadores, o que representou um aumento total de 4 por cento em relação a 2002.

Paralelamente, o número anual de novos doutoramentos atribuídos ou reconhecidos por universidades portuguesas aumentou de 608 para 1.273, entre 1996 e 2006, havendo a expectativa de que ultrapasse 1.500 em 2009.

A par disso, quase duplicou, no ano passado, o número de bolsas de pós-doutoramento financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Quanto à produção científica portuguesa, o número de publicações portuguesas referenciadas internacionalmente quase duplicou entre 2000 e 2006, tendo aumentado ao mesmo tempo a produção científica em co-autoria com instituições de outros países.

Portugal ocupa o quarto lugar no "ranking" dos países com mais mulheres a trabalhar em ciência e tecnologia na Europa: 44 por cento, quando a média da UE a 25 era de 29 por cento, de acordo com os últimos dados disponíveis.

Na reunião de hoje, deverá ser lançado um apelo para políticas nacionais de I&D mais fortes que ajudem a concretizar os objectivos da Estratégia de Lisboa, que foi aprovada há sete anos na cimeira de líderes da UE, em Março de 2000, na capital portuguesa, a meio da anterior presidência lusa do "bloco europeu".

Segundo fonte do Ministério português, o conselho informal de ministros da Ciência consagrado à Competitividade e à Investigação vai ainda aferir a implementação pelos Estados membros das metas em matéria de Ciência e Tecnologia previstas na Estratégia de Lisboa.

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Anónimo

22.07.2007 02:07

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