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A bordo de um avião

Médicos realizam primeira cirurgia sob gravidade zero num ser humano

27.09.2006 - 13:53 Por Lusa, AP

A primeira operação cirúrgica em condições de ausência de gravidade foi hoje realizada por uma equipa francesa a bordo de um avião e "decorreu sem qualquer dificuldade particular", anunciaram as autoridades médicas.
 (PUBLICO.PT)

O plano era a excisão de um quisto do braço de um paciente do sexo masculino a bordo do Airbus 300 Zero-G, enquanto este era pilotado de maneira a que a cirurgia decorresse como se numa montanha-russa, entre a gravidade e a gravidade-zero, durante três horas.

Segundo a Novespace, responsável pelo avião, estavam planeadas 30 manobras tipo montanha-russa, chamadas parábolas, para a totalidade do voo. Os cirurgiões terão estado seguros às paredes do avião durante a cirurgia.

O avião levantou voo esta manhã e aterrou pouco depois das 12h00 (hora de Lisboa) no Instituto para a Manutenção Aeronáutica de Merignac, junto a Bordéus, no sul de França.

O voo, que durou três horas e atingiu uma altura entre 6000 e 8500 metros, foi feito em condições de gravidade zero no decurso de 32 períodos de 22 segundos em que o avião fez descidas súbitas com uma inclinação de 47 graus.

"Se tivéssemos tido duas horas de imponderabilidade contínua, poderíamos ter operado uma apendicite", sublinhou cirurgião Dominique Martin, coordenador do projecto.

A experiência faz parte de um esforço mais alargado que visa o desenvolvimento de robôs que possam efectuar operações cirúrgicas à distância, seja no espaço ou na Terra. Da responsabilidade do Centro Nacional Francês para os Estudos Espaciais, apoiado pela Agência Espacial Europeia, o projecto foi chefiado pelo .

O paciente é o francês Philippe Sanchot, escolhido pelo seu amor à prática do bungee-jumping e por estar, por isso, habituado a mudanças de gravidade bruscas, segundo explicou Frederique Albertoni, porta-voz do hospital onde trabalha Dominique Martin.

Quanto à cirurgia, Albertoni explicou que foi seleccionada por ser relativamente simples e implicar apenas uma anestesia local.

"Há toda uma série de dilemas interessantes quanto à cirurgia no espaço", comentou Joseph LoCicero, responsável pelo serviço de Cirurgia Torácica no Hospital Maimonides, em Nova Iorque. "Sem gravidade, as coisas podem flutuar", como os instrumentos, e implica uma grande concentração por parte do médico, que deve ser preciso nos seus movimentos.

Antes de passarem à prática, o médico, o paciente e outros cinco médicos foram treinados em máquinas que produzem o efeito gravidade-zero, similares às usadas no treino dos astronautas.

Os médicos já tinham sido os primeiros a realizar uma operação deste tipo, mas desta feita num animal. No início do ano, conseguiram remendar a artéria da cauda de uma ratazana em condições de gravidade-zero.

Também a NASA, a agência espacial dos EUA, já testou a cirurgia robótica, desta feitas no fundo do mar, onde mantém um laboratório que recria a vida numa estação espacial em órbita, mas em modelos de animais.

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