Encontro em Londres de investigadores portugueses

Mariano Gago desafia cientistas portugueses no estrangeiro a criarem emprego em Portugal

27.06.2009 - 16:55 Por Lusa

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O ministro da Ciência esteve em Londres com investigadores portugueses que trabalham no estrangeiro O ministro da Ciência esteve em Londres com investigadores portugueses que trabalham no estrangeiro (Joana Bourgard (arquivo))
Os investigadores portugueses no estrangeiro devem tentar criar as suas próprias oportunidades para regressarem a Portugal, desafiou hoje o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, num encontro em Londres.

Questionado sobre o que está o governo a fazer para acolher os milhares de doutorados e investigadores que actualmente estão noutros países, o ministro inverteu a pergunta: "O que querem as pessoas qualificadas fazer em Portugal e o que querem fazer para criar e melhorar as suas oportunidades?"

Mariano Gago falava em Londres na abertura do Luso2009, o 3.º Encontro dos Estudantes e Investigadores Portugueses no Reino Unido. Para o ministro, a atitude não se deve ficar por procurar trabalho em anúncios de emprego, mas "aumentar as oportunidades para as pessoas qualificadas".

Portugal é um "país em expansão", o que aumenta as oportunidades, por oposição aos países consolidados onde os postos de liderança já estão ocupados, considerou.

Também Marçal Grilo, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apelou ao espírito empreendedor dos doutorados e investigadores portugueses no estrangeiro. Aludindo a um famoso discurso do presidente norte-americano John F. Kennnedy, Marçal Grilo incitou a audiência a interrogar-se sobre "o que é que querem fazer pelo país".

Para este ex-ministro da Educação, o regresso a Portugal não é uma questão de pagar o investimento feito na formação, mas colocar ao serviço dos outros o conhecimento e capacidade adquiridos no estrangeiro. "O país precisa mais de vocês do que vocês precisam do país", enfatizou, durante uma intervenção para uma audiência de dezenas de estudantes e investigadores portugueses.

Na mesma sessão, vários intervenientes destacaram o aumento substancial nos últimos anos do número de doutorados e de profissionais portugueses que se dedicam à investigação.

Mariano Gago recordou que há 20 ou 30 anos atrás, quando as pessoas saíam para o estrangeiro para continuar os estudos superiores, não tinham depois condições para trabalhar em Portugal. Mas hoje, a aposta na qualificação está a ser ganha e são os próprios cientistas que estão a permitir o investimento na inovação, considerou. "O talento cria necessidade de talento, a ciência cria necessidade de ciência", resumiu.

O LUSO2009 decorre até ao final do dia no Imperial College, em Londres, fechando com uma intervenção de Hermínio Martins, sociólogo e professor jubilado da universidade St Anthony's College, em Oxford.

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