Madagáscar: Estudo inédito define novas áreas de conservação

10.04.2008 - 20:10 Por Nicolau Ferreira
Este bicho de aspecto estranho tem o nome científico Uroplatus fimbriatus e é uma espécie de osga de Madagáscar, um dos locais de maior diversidade biológica do planeta. Um estudo inédito publicado hoje na revista "Science" analisou a biodiversidade de Madagáscar e propõe uma nova abordagem para a protecção da sua riqueza natural.
O país foi analisado a pente fino e definiu-se a geografia e saúde de 2315 espécies, divididas em formigas, borboletas, rãs, gecos (osgas), lémures e plantas.
O artigo responde à solicitação feita pelo Presidente Marc Ravalomanana em 2003: pediu à comunidade científica internacional que definisse os locais de maior importância de conservação, para triplicar a área protegida de Madagáscar para dez por cento. Cerca de 80 por cento das espécies em Madagáscar só existem nesta ilha.
“Historicamente, os planos de conservação focaram-se em proteger uma espécie ou um grupo de espécies de cada vez”, explicou Claire Kremen, num comunicado da Universidade de York. Segundo a co-autora do artigo, da Universidade da Califórnia (UC), em Berkeley, esta abordagem não é eficiente para combater a extinção das espécies.
A partir de tecnologias e algoritmos novos, os investigadores relacionaram as espécies e os seus habitats para definir as áreas mais ricas em biodiversidade. Deram prioridade a espécies mais ameaçadas ou em que o número de indivíduos tenha diminuído drasticamente.
“Combinando um enorme quantidade de informação com os programas de software mais recentes, podemos identificar as prioridades a nível de conservação com alto grau de precisão”, disse Alison Cameron, co-autora do artigo.
Algumas conclusões definem a planície central e as orlas florestais da costa de Madagáscar como áreas a serem protegidas. Estes locais têm sido negligenciados por terem menos floresta, mas o maior foco de espécies endémicas torna-os importantes.
Cerca de 50 por cento das plantas e entre 71 e 82 por cento dos animais vertebrados estão concentrados em locais que cobrem apenas 2,3 por cento da área terrestre do planeta. Segundo Cameron, o mais importante “é que podemos exportar este modelo para outras áreas críticas de conservação”.

