James Watson levou cerca de 700 pessoas a ouvi-lo em palestra sobre o cancro

07.11.2009 - 09:05 Por Teresa Firmino
O nome, só por si, é um forte chamariz: James Watson, co-descobridor da estrutura da molécula de ADN em 1953, um dos galardoados por esse feito com o Prémio Nobel em 1962, enche auditórios. Ontem, não foi excepção e três salas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, ficaram apinhadas. Cerca de 700 pessoas foram ouvir um dos grandes nomes da história da ciência falar sobre a Cura do cancro hoje, não amanhã.
Na palestra, a convite da Fundação Champalimaud, onde preside ao conselho científico, Watson, de 81 anos, fez um passeio ao longo da história da investigação do cancro, em paralelo com a sua história biográfica. Contou que os pais morreram de cancro quando era criança, tal como o seu irmão mais velho, então na casa dos 30 anos. Traçou em seguida o percurso da investigação, desde que começou a trabalhar, nos anos 40, com genes de vírus que afectam bactérias até aos vírus que causam tumores e aos mecanismos do cancro.
Não esqueceu o momento da descoberta da sua vida, aos 25 anos, estava então na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, onde foi tentar desvendar a estrutura do ADN: "Encontrá-la foi um trabalho de duas horas." Na sala principal, a assistência reagia perante tal frase, rindo-se. Foi mostrando num ecrã artigos científicos, gráficos com muitas setas a explicar mecanismos do cancro, assinalando descobertas importantes, como a de que há genes envolvidos na sua promoção e outros na sua inibição, e falando de experiências em ratinhos. Na plateia, muito jovem, notavam-se sinais de desatenção.
Também não ficou de fora o arranque do projecto internacional para sequenciar o genoma humano, a que Watson esteve ligado, entre o fim dos anos 80 e o início dos 90. O cancro entra aqui porque uma maneira de o compreender é através dos genes. "Quando falo em curar o cancro hoje, refiro-me à próxima década e não às próximas cinco décadas", disse.
Contou que ele já teve cancro da pele. E, como há estudos que dizem que o exercício físico pode ajudar a evitar o cancro da próstata, ele joga ténis. Mostrou uma foto sua, com uma raquete oferecida pelo tenista Roger Federer. De novo, os risos.
No final, que impressões? Joana Lemos, de 23 anos, a fazer o mestrado em Oncologia, contou por que veio de propósito do Porto: "Uma coisa é ver referências ao senhor em artigos, outra é chegar aqui e ouvir a pessoa. Não veio mostrar nada de novo, mas é uma referência para nós."

