Já estão em órbita os satélites com tecnologia portuguesa que vão observar a Terra

02.11.2009 - 11:13 Por Lusa
Dois satélites com tecnologia portuguesa, que vão ajudar a compreender melhor as alterações climáticas, foram lançados ontem à noite de uma base russa, separaram-se com êxito do foguete propulsor e estão já em órbita à volta da Terra, segundo a Agência Espacial Europeia (ESA).
O posicionamento em órbita do SMOS (acrónimo em inglês para humidade do solo e salinidade dos oceanos) e do Proba-2, um mini-satélite destinado a testar novas tecnologias, foi hoje saudado pela ESA, que se regozija num comunicado por “este duplo êxito”.
O SMOS leva a bordo um processador de dados produzido pela Deimos Engenharia e o Proba-2 um magnetómetro desenvolvido pela Lusospace, duas empresas portuguesas que trabalham para a indústria aeroespacial.
“A hidratação dos solos e o sal dos oceanos são duas variáveis chave ligadas ao ciclo da água na Terra que têm impacto na meteorologia e no clima”, explica a ESA, sublinhando que o SMOS permitirá fazer medições em todo o planeta.
O magnetómetro que vai no proba-2 é um instrumento de navegação que lembra uma bússola. Tem o tamanho de um cartão de crédito com cerca de quatro centímetros de altura e é capaz de determinar o norte e o sul através da emissão de sinais eléctricos cuja leitura permite conhecer o campo magnético a três dimensões.
Segundo Yann Kerr, responsável científico da missão SMOS no Centro de Estudos Espaciais da Bioesfera (CESBIO), “o aquecimento climático é um facto”, mas as suas consequências no ciclo da água (precipitação, evaporação, infiltração nos solos, escoamento, armazenamento) “são incertas”, daí haver necessidade de ter “dados melhores” para fazer modelos climáticos fiáveis.

