Investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto estão a testar em ratinhos uma vacina contra a cárie dentária que poderá ter aplicação humana no início da próxima década.
A investigadora que lidera a equipa, Paula Ferreira, disse hoje que a procura de uma vacina contra a cárie dentária está a mobilizar cientistas também no Japão e nos Estados Unidos, mas nos dois casos está a ser usada "uma estratégia um pouco diferente", baseada num constituinte da bactéria que provoca a doença.
Paula Ferreira explicou que os testes laboratoriais feitos no ICBAS são a aplicação prática da descoberta do professor do instituto Mário Arala Chaves, falecido em 2000, que identificou o efeito de supressão imunológica das proteínas libertadas pelas bactérias responsáveis pela cárie dentária.
Com um financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a equipa liderada por Paula Ferreira começou em 2000 a investigação laboratorial para testar a descoberta de Arala Chaves, criando uma vacina que neutraliza o efeito daquelas proteínas, reactivando a resposta imunológica à agressão das bactérias.
Os primeiros testes da vacina terapêutica (após a infecção) feitos em roedores resultaram numa "redução considerável" da cárie, confirmados pelos estomatologistas da Universidade de Coimbra António Fonseca e Silvério Cabrita.
Paula Ferreira referiu que os investigadores estão agora a iniciar os testes de uma vacina preventiva (antes da infecção), prevendo-se que os resultados sejam igualmente positivos, dado ser normalmente mais fácil prevenir uma doença do que tratá-la.
Esta fase da investigação está a ser desenvolvida com um novo financiamento da FCT, válido até 2007, mas antes de chegar à aplicação humana ainda é necessário fazer testes em macacos, o que obriga a financiamentos muito elevados.
Paula Ferreira afirmou que a equipa está à procura de financiamento junto da indústria farmacêutica, o que poderá ser facilitado logo que seja aprovado o registo de patente pedido nos Estados Unidos (a patente da vacina já está registada em Portugal).
A investigadora explicou que, caso alguma empresa farmacêutica se interesse pela investigação, a fase de testes em animais terá de ser feita na Holanda ou nos Estados Unidos, dado não existirem em Portugal centros de testes laboratoriais em macacos.


