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Estradas

Investigadores desenvolveram novo tipo de piso que permite reduzir ruído do trânsito

10.10.2011 - 13:02 Por Samuel Silva

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Engenheiros, físicos e especialistas em música tentam "calar" o tráfego Engenheiros, físicos e especialistas em música tentam "calar" o tráfego (Foto: Miriam Lago)
Os estudos mais recentes têm mostrado que as estradas são uma das fontes principais de ruído nas cidades, mas a Universidade do Minho (UM) encontrou uma solução para o problema. Um grupo de investigadores está a desenvolver um novo piso, que é mais silencioso e pode ser aplicado de forma económica. A solução já foi testada em Braga e os responsáveis acreditam que pode ter um impacto positivo na qualidade de vida das zonas urbanas.

A solução proposta pelo Centro de Território Ambiente e Construção (C-TAC), do Departamento de Engenharia Civil da UM, é relativamente simples. Os pavimentos das estradas são constituídos por agregados - pequenas pedras com tamanhos variáveis - e betão asfáltico. O tamanho do agregado confere determinadas características à camada de desgaste - que está em contacto com o pneu e é a principal responsável pelo ruído provocado. O que os investigadores da UM estão a fazer é a optimizar os tamanhos dos agregados, trabalhando com materiais mais pequenos do que o habitual.

A técnica utiliza os mesmos materiais que habitualmente são usados na pavimentação das estradas. "Assim, permite ao construtor uma solução mais barata, sem ter de reformular os equipamentos utilizados", explica Elisabete Freitas, professora que coordena o estudo.

A variante Sul de Braga, que faz a ligação entre as saídas das auto-estradas e uma zona habitacional, foi o primeiro local a receber este novo tipo de piso. A rodovia atravessa uma zona densamente povoada, bem perto de urbanizações, e o ruído foi, durante vários anos, um problema apontado pelos moradores. Numa recente repavimentação, a autarquia chamou a UM para analisar o problema, tendo acabado por aceitar a colocação daquele piso ainda em fase de testes. "Tivemos óptimos resultados e um feedback muito bom das pessoas daquela zona", conta Elisabete Freitas.

O exemplo pode agora ser replicado noutras zonas do país, especialmente no acesso a grandes centros urbanos. A investigadora acredita que esta inovação "pode ter um impacto positivo na vida das zonas urbanas", ainda para mais quando os mapas do ruído apontam as estradas como a principal fonte de barulho nas cidades, especialmente no período nocturno. Para Elisabete Freitas, o piso desenvolvido pela sua equipa pode fazer especial sentido nas vias de acesso a Lisboa e ao Porto, cujo volume de tráfego e a velocidade dos automóveis é uma grande fonte de ruído.

A inovação permitiria, por exemplo, reduzir a altura das barreiras sonoras existentes, o que teria impacto positivo sobre a paisagem, argumenta. Mesmo dentro das cidades, onde se anda "muito depressa" em Portugal, considera a especialista, esta fórmula pode ter resultados positivos.

A solução tem merecido a atenção da empresa Estradas de Portugal, responsável pela maioria das estradas portuguesas, e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. "Esta é uma solução possível e quem está a decidir poderá decidir de acordo com o que descobrimos", salienta a investigadora. O interesse dessas entidades tem também a ver com um outro contributo desta investigação. Durante os últimos anos, a equipa esteve a estudar as características das estradas do país, das auto-estradas às nacionais, quer em áreas urbanas quer rurais. E, até agora, não existia informação relativamente às características das camadas de desgaste usadas em Portugal.

O trabalho permitiu esse mapeamento e foi o ponto de partida para uma equipa multidisciplinar de oito colaboradores, provenientes de áreas tão diversas como a Engenharia Civil, a Física e a Música. Numa segunda fase, a equipa teve ainda contributos da Psicologia, para um estudo, envolvendo 100 pessoas, dos 6 aos 85 anos, acerca das percepções do ruído rodoviário, cujas conclusões estão na base do piso entretanto desenvolvido.

Portugal é um país "relativamente ruidoso"

A primeira fase da investigação do departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho tratou de fazer o reconhecimento dos pisos existentes nas estradas portuguesas e do ruído provocado por cada um deles. A partir dessa análise, os especialistas concluíram que Portugal é um país "relativamente ruidoso" quando comparado com outros parceiros europeus.

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e mais?

Gostaria que tivessem perguntado algo mais, como por exemplo se o atrito cinético é o mesmo, ou ...

Johnny Good

10.10.2011 14:17

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