Investigadores de Coimbra querem diminuir toxicidade de medicamentos contra o cancro 
08.11.2009 - 11:14 Por Lusa
Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra está a tentar diminuir a toxicidade de medicamentos usados para combater o cancro baseando-se na função da mitocrôndria, estrutura celular responsável pela produção de energia.
A equipa coordenada por Paulo Oliveira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, tem-se ocupado em perceber os mecanismos de toxicidade cardíaca de anti-cancerígenos, em especial de alguns medicamentos eficazes no tratamento do cancro mas cuja utilização clínica é limitada devido aos problemas cardíacos que provocam.
“Ao saber-se exactamente os mecanismos da mitocôndria poderá surgir uma nova geração de fármacos que não têm essa toxicidade”, declarou o coordenador da investigação, que conta ainda com a colaboração da Universidade do Minnesota (EUA), Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.
De acordo com uma nota de imprensa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), “das baterias de testes realizados in vitro (linhas celulares cardíacas) e in vivo (modelos animais), de que resultaram 12 artigos científicos, foi possível verificar, pela primeira vez, que para além do coração, outros órgãos são também afectados pela toxicidade do fármaco [que está a ser analisado no estudo], embora seja de facto a mitocôndria cardíaca a mais sensível à toxicidade” do medicamento.
A função da mitocôndria é considerada um indicador altamente fiável para avaliar a toxicidade de diversos compostos farmacêuticos em vários órgãos. Cada vez mais, empresas farmacêuticas recorrem ao uso de mitocôndrias isoladas de vários tecidos para testarem os seus fármacos numa fase muito inicial de desenvolvimento.
Financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a investigação começou em 2002 e visa o estudo do funcionamento dos mecanismos pelos quais a adriamicina interfere com a mitocôndria cardíaca, o organelo responsável pela geração de energia nas células. Esta investigação tem também levado ao estudo de moléculas que ajudem a prevenir e/ou bloquear os danos causados pelo medicamento no coração.
Paulo Oliveira adiantou que em Janeiro próximo inicia-se um novo projecto financiado por três anos para dar sequência a esta investigação, que constitui um “estudo mais alargado” de uma pesquisa iniciada nos anos 90 na Universidade do Minnesota.
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