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Programa de software estuda a manipulação dos discursos

Investigadores criam mecanismo para saber se os políticos dizem a verdade

19.09.2008 - 17:17

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Barack Obama é o candidato que mais manipula o que diz Barack Obama é o candidato que mais manipula o que diz (Jason Reed/Reuters)
Chegou o momento da verdade para os políticos. Saber se estão ou não a mentir será possível sem que para isso tenham que responder a perguntas embaraçosas sobre a sua vida pessoal. Uma equipa de investigadores canadianos tem uma proposta bem mais simples. Através de um programa de "software" os cientistas analisam o discurso, a voz e as expressões faciais e descobrem se há manipulação ou não da verdade.

“O mais importante é reconhecer que os políticos não são normalmente bons a mentir sobre tudo, mas são muito adeptos da ‘dança em torno’ da verdade”, explicou David Skillicorn, matemático e investigador de ciências da computação na Queen’s University em Kingston, Ontário, no Canadá, citado na revista "New Scientist".

O investigador diz que as eleições de 2008 para a presidência dos Estados Unidos da América (EUA) têm dado muitas oportunidades aos cientistas para ver os políticos em acção. Um bom exemplo de manipulação da verdade foi a expressão de repulsa do ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, durante a convenção nacional dos Democratas quando disse a palavra “Obama”, referindo-se ao candidato do partido que venceu a sua mulher, Hillary Clinton, nas eleições para a corrida à casa Branca. Durou uma fracção de segundo. Quase ninguém reparou.

Mas, o que passou despercebido ao comum dos mortais, foi facilmente detectado por Paul Ekman, que estuda as expressões faciais e a maneira como actuam os políticos, em relação ao que pensam, há 40 anos. “Tendo em conta que Clinton provavelmente sentiu rejeição por a sua mulher não ter conseguido a nomeação, eu diria que todo o discurso foi na verdade dado de uma maneira muito graciosa”, explicou Ekman, citado pela "New Scientist".

’O Jogo da Sedução’

Apesar deste pequeno percalço continua a ser muito difícil para a maioria das pessoas perceber se os políticos dizem o que realmente pensam ou não. Por isso, Skillicorn criou um programa informático que funciona como uma espécie de detector do ‘verbal spin’, ou seja, da manipulação verbal nos discursos, que determina quando a pessoa “se apresenta a si mesma ou o conteúdo do que diz de uma maneira que não reflecte necessariamente o que sabe ser a verdade”, explicou, citado pelo “El Mundo”.

Trata-se portanto de uma maneira de analisar não a mentira, mas sim a tendência dos políticos para apresentar uma imagem que lhes convém no processo de sedução do eleitor. O "software" analisa indicadores de ‘verbal spin’: o recurso a frases generalistas, sem acrescentar muitos detalhes ou precisar o que se diz; o uso do pronome pessoal “nós”, em vez do “eu”; e a utilização de verbos de acção como “vou” ou “vamos” e de palavras de grande conteúdo emocional, como “ódio” ou “inimigo”, apontam para maiores níveis de manipulação dos discursos.

Objecto de estudo: Eleições dos EUA

O investigador canadiano e a sua equipa analisaram um conjunto de 150 discursos de políticos envolvidos na corrida eleitoral para a presidência norte-americana de 2008, que inclui candidatos que ficaram pelo caminho como Hillary Clinton, do partido democrata, ou Mitt Romney, do partido republicano.

Skillicorn descobriu que apesar de todos os discursos serem ensaiados e escritos por profissionais da retórica, apresentavam diferenças substanciais: “É óbvio que os discursos ainda são muito individualizados”, disse o investigador, citado pela "New Scientist". Outra das conclusões é que todos os candidatos tiveram oscilações no seu ‘verbal spin’, dependendo da ocasião.

O mais curioso é reparar que no caso do uso de pronomes como “nós” e “eu”, a escolha é feita a nível subconsciente, não interessando qual é a forma escrita no discurso.

Os resultados não deixam dúvidas quanto ao candidato que mais manipula o que diz: Barack Obama, o candidato democrata, aparece destacado com um ‘verbal spin’ de 6,7 – onde 0 é o valor médio de todos os discursos políticos analisados, e os valores positivos representam uma maior manipulação.

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Comentário + votado

quo vadis

quo vadis "ciência"... Poder dizer "a priori" se alguém está a mentir, ou, pelo menos, a "dançar" ...

Fagundes

22.09.2008 17:44

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