Investigação mostra efeito do desemprego no aumento das taxas de suicídio e mortalidade

09.07.2009 - 10:15 Por Lusa
A rápida subida do desemprego, devido à crise económica, aumentou também as taxas de suicídio e de mortalidade, sobretudo quando os programas sociais de apoio laboral são limitados, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista britânica "The Lancet". Por cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego, aumentam em 0,8 por cento as taxas de suicídio entre pessoas com menos de 65 anos.
Os autores do estudo, chefiado por David Stuckler, da Universidade de Oxford, e por Martin McKee, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, procuraram perceber em que medida as alterações económicas influenciaram as taxas de mortalidade por suicídio ou outro tipo de morte nos 26 países da União Europeia entre 1970 e 2007.
"Não é surpreendente que vejamos mais stress, suicídios e problemas mentais", depois da crise que se vive em todo o mundo, refere o estudo, citando a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os investigadores verificaram que por cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego, aumentam em 0,8 por cento as taxas de suicídio entre pessoas com menos de 65 anos, situando-se esta taxa entre os 60 e os 550 suicídios por ano.
A taxa de mortalidade aumenta também 0,8 por cento por cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego.
No entanto, na actual conjuntura, as pessoas acabam por conduzir menos, tendo os acidentes rodoviárias reduzido em 1,4 por cento.
Se as taxas de desemprego ultrapassarem os três por cento, as taxas de suicídio entre indivíduos com menos de 65 anos aumentam 4,5 por cento e as mortes resultantes do consumo excessivo de álcool crescem também em 28 por cento.
O impacto da crise económica sobre as taxas de suicídio foi, no entanto, atenuado pelo reforço dos serviços sociais de protecção ao trabalho, de acordo com este estudo.
A investigação publicada na revista "The Lancet" verificou ainda que em dois países da Europa - em que os programas sociais são muito importantes - registaram uma relação inversa da taxa de suicídio em relação à de desemprego.
Entre 1990 e 1993, a taxa de desemprego na Finlândia disparou dos 3,2 por cento para os 16,6 por cento, tendo as taxas de suicídio baixado fortemente no mesmo período.
Também na Suécia, em 1991/92, a taxa de desemprego aumentou dos 2,1 por cento para os 5,7 por cento, tendo a taxa de suicídio descido. Em 2003, metade dos países europeus gastavam menos de 190 dólares (137 euros) por desempregado, por ano. A Europa Ocidental gastava, em média, 261 dólares (288 euros) e a Oriental 37 dólares (26 euros).

