Honoris causa é reconhecimento pelo trabalho científico, diz António Damásio

21.09.2011 - 13:25 Por Lusa
O neurocientista António Damásio considerou hoje o título de doutor honoris causa atribuído pela Universidade de Coimbra (UC) como reconhecimento do seu trabalho científico e do valor humano da área de investigação a que dedica a sua vida.
“Tem um significado particular, ligado à posição histórica ímpar da Universidade de Coimbra. Recebo este grau com imensa apreciação”, afirmou na cerimónia de doutoramento.
António Damásio recebeu hoje o título de doutor honoris causa, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC, cabendo ao docente Eduardo Sá o seu elogio.
Remetendo para a área de investigação da escola onde a partir de hoje se integra, António Damásio observou que se fosse possível viajar no tempo e voltar um século atrás, e se fosse possível perguntar ao mais sagaz dos sábios qual seria o futuro da Psicologia, “é bem provável que a resposta fosse desencorajante”.
Segundo António Damásio, “a Psicologia, diria o sábio, estaria pronta a declarar o fim dos seus trabalhos, já que tudo o que era preciso descobrir sobre a mente humana estava descoberto, ou quase”.
Na óptica do neurocientista, “esse sábio imaginário teria sido um péssimo profeta e se teria enganado profundamente. O projecto da psicologia científica tem vindo a ser realizado, com êxito e velocidades crescentes, através da neurociência e da biologia empenhadas em descobrir como o tecido nervoso constrói a mente”.
Para o novo doutorado honoris causa, “não há sinal de abrandamento. Não é possível prever quando ou onde o projecto irá terminar. E há também a reconhecer (...) uma consequência feliz do progresso da Psicologia: a sua aplicação prática nas Ciências da Educação, com todos os benefícios humanos que devemos esperar”.
Eduardo Sá, professor universitário e especialista em psicologia infantil, no seu elogio do homenageado, destacou a justiça do título de “doutor” que António Damásio hoje recebeu, não antes de se centrar nos seus estudos sobre a infância.
“Estamos numa viragem epistemológica, social e política. Mas, também familiar e educativa”, salientou, frisando que a educação das crianças continua a ser marcada pela contenção, o que leva a que “não falem e não brinquem como deviam”.
Na sua perspectiva, tem-se “vezes demais, educado para a literacia”.

